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Mato Grosso

Unidade federativa do Brasil

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Mato Grosso é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Centro-Oeste e tem por limites os estados do Tocantins a leste, Goiás a sudeste, Mato Grosso do Sul a sul, Amazonas e Pará a norte, Rondônia a oeste e fronteira com a Bolívia a noroeste. É dividido em 142 municípios e sua área total é de 903 207,050 km², tornando o terceiro maior estado do país em extensão territorial e a decima nona maior subdivisão mundial, sendo um pouco menor que a Venezuela. Tendo a porção norte de seu território ocupada pela Amazônia Legal e o sul pertencente ao Centro-Sul do Brasil, seu município de maior extensão territorial é Colniza com 27 946 126 km² e São Pedro da Cipa o menor município com 344,05 km². Sua capital é o município de Cuiabá e seu atual governador é Otaviano Pivetta.

Com mais de 3,6 milhões de habitantes ou cerca de 1,8% da população brasileira, é o segundo estado mais populoso da Região Centro Oeste e o décimo sexto mais populoso do Brasil. As cidades mais populosas, segundo a estimativa populacional em 2025 são: a capital Cuiabá, com 691 875 habitantes; Várzea Grande, com 318 922; Rondonópolis, com 263 708; Sinop com 223 780; e Sorriso com 124 665 habitantes. O estado é ainda, subdividido em 18 regiões geográficas imediatas, que por sua vez estão agrupadas em cinco regiões geográficas intermediárias. A Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, com população superior aos 1 milhão de habitantes, é sua única região metropolitana, onde concentra 29,6 % da população do estado.

A área que compreende o território mato-grossense era habitado pelos índios bororós, parecis, paiaguás, caiapós, guaicurus e guaranis. Devido a relatos sobre imensas riquezas do interior do continente sul-americano, acenderam as ambições de portugueses e espanhóis. Os jesuítas, a serviço dos espanhóis, criaram os primeiros núcleos, de onde foram expulsos pelos bandeirantes paulistas em 1680. Em 1718, com a descoberta do ouro acelerou o povoamento nos rios Coxipó e Cuiabá. Com a criação da Capitania de Mato Grosso em 1748 o Império Português construiu um eficiente sistema de defesa. Em 1750 com o Tratado de Madri, foi reconhecida as conquistas dos bandeirantes na região e dirimiu questões de limites territoriais entre Portugal e Espanha. Com a chegada dos seringueiros, pecuaristas e exploradores de erva-mate na primeira metade do século XIX, a região retomou o seu desenvolvimento. No início do século XX Mato Grosso passou por transformações, principalmente na redução de seu território, com a criação do Território Federal do Guaporé (atual estado de Rondônia) em 1943 e em 1977, a parte sul do estado foi desmembrada, para a formação do estado de Mato Grosso do Sul.

A economia de Mato Grosso possui a maior participação no setor primário do país, segundo pesquisa realizada em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sua riqueza produzida no periodo foi maior que todos os estados da região sul (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e superior aos estados da região sudeste como São Paulo e Minas Gerais, tendo o maior rebanho de gado e a maior produção agrícola do país — sendo o maior produtor nacional de commodities como a soja, milho e algodão e se fosse um país independente, seria o terceiro maior produtor de soja do mundo, (ficando, em 2023, atrás do Brasil e dos Estados Unidos) quando classificada safra anual, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Além de grande produção agrícola, Mato Grosso é rico em biodiversidade, na fronteira com o estado de Mato Grosso do Sul concentra o Pantanal a maior planície alagada do planeta e considerada pela Unesco como Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera, o estado traz em seu patrimônio histórico e cultural uma riqueza histórica, cultural e gastronômica. Possui indicadores sociais, econômicos e ambientais distintos, como o decimo maior PIB e o quarto maior PIB per capita entre as unidades da federação, é o décimo segundo com maior taxa de mortalidade infantil, a décima terceira maior taxa de homicídios e maior desmatador da Amazônia Legal e de ocorrência de queimadas no pais.

A origem do topônimo Mato Grosso teve seu primeiro registro em 1727 quando um cronista cuiabano (que ficou no anonimato) situou a Vila de Cuiabá: "Acha-se esta vila... distante da villaboa de Goyas (atual municipio de Goias) trezentas legoas do Matogrosso oitenta e do Arrayal de Santo Antonio dos Arayes cento e sincoenta que sam as povoaçoim mais vizinhas que tem. O nome que parece é Matogrosso." Em 1731 a crônica cuiabana acrescenta à descrição geográfica a região do Guaporé, o que não acontecia anteriormente, porque a primeira porta de entrada para Mato Grosso se deu por Goiás.

Em 1734 com a sua descoberta pelos irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros, em uma incursão em busca de índios Parecis pelo Rio Galera, avistaram a vegetação predominante na região 7 léguas de mato espesso e a denominaram de Minas do Mato Grosso localizada nas margens do Rio Galera no Vale do Guaporé, conforme o site do Governo do Estado de Mato Grosso:"Em 1734, estando já quase despovoada a Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, os irmãos Fernando e Artur Paes de Barros, atrás dos índios Parecis, descobriram veio aurífero, o qual resolveram denominar de ‘Minas de Mato Grosso’, situadas nas margens do rio Galera, no vale do Guaporé". Sua nomenclatura foi oficializada por meio de carta régia de 9 de maio de 1748, como referência sua vegetação ter características de cerrado e ser espessa.

Em 1932 com o advento da Revolução Constitucionalista, seu antigo território (atual estado Mato Grosso do Sul) encampou alguns movimentos pretéritos a mudança da denominação da região para Pantanal paralelo a instalação do Estado de Maracaju por Vespasiano Martins. Em 11 de outubro de 1977 com a criação do estado de Mato Grosso do Sul, sua denominação foi consolidada, tendo como referência a porção sul de seu território desmembrado.

Os vestígios mais antigos de presença humana em território mato-grossense data em dois períodos: por volta de 27 mil anos e entre 12 mil e 2 mil anos foram encontrados à 80 quilômetros de Cuiabá no Abrigo de Santa Elina, em Jangada vestígios indiretos de presença de homem moderno teria habitado a região em dois momentos: atrasos primórdios dessa ocupação estão os homo-sapiens em um estudo coordenado pelo casal de arqueólogos Denis Vialou e Águeda Vilhena Vialou, do Museu Nacional de História Natural da França entre os anos de 1984 e 2004. Em Rondonópolis na região sul do estado, a registros de presença humana entre 6 e 2 mil anos em 170 sítios líticos denominados Cidade de Pedra onde é possivel encontrar de pinturas, a cerâmicas, adornos feitos com pedaços de hematita e uma abundância de resquícios de fogueiras antrópicas da pré-história.

Entre os séculos XVI e XVIII o território mato-grossense era habitado por diversos povos indígenas, como os bororós, parecis, paiaguás, caiapós, guaicurus e guaranis, eles ocupavam diferentes áreas do atual território do estado e possuíam formas próprias de organização social, política e territorial e sua presença foi fundamental para a história da região, influenciando o avanço das expedições europeias e conflitos entre portugueses e espanhóis e o processo de ocupação e colonização da fronteira oeste da América Portuguesa.

Colonização europeia e início do ciclo do ouro

O primeiro desbravador do atual território mato-grossense foi o português Aleixo Garcia, náufrago da expedição de Juan Díaz de Solís, que, em 1525, atravessou a mesopotâmia entre os rios Paraná e Paraguai, alcançando a Bolívia. Ao voltar de lá, com grandes quantidades de prata e cobre, foi morto pelos indígenas paiaguás. Em 1526, Sebastião Caboto também adentrou a região, estabelecendo uma relação amistosa com os guaranis, recebendo, de presente, peças de metais preciosos. Essas primeiras expedições europeias ajudaram a difundir informações sobre a existência de metais preciosos no interior da América do Sul, despertando o interesse das coroas ibéricas pela região e incentivando a realização de novas expedições nos séculos seguintes. De acordo com o Tratado de Tordesilhas (1494) essa região era posse da Espanha.

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