O Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (MPPCN) é uma instituição museológica localizada na cidade brasileira de Santana do Cariri e pertencente a Universidade Regional do Cariri (URCA). É o maior museu de paleontologia do estado do Ceará, com mais de onze mil peças e destaque internacional.
Localizado na "Capital Nacional da Paleontologia" é uma das instituições paleontológicas mais importantes do país, voltada aos fósseis da Bacia do Araripe, principalmente do Grupo Santana (período Cretáceo Inferior). Foi fundada em 1985 pelo professor cearense Plácido Cidade Nuvens, tornando-se um dos pilares na luta contra o tráfico de fósseis e proteção do patrimônio paleontológico brasileiro, há mais de quarenta anos. Atualmente, também é uma referência nacional na luta contra o colonialismo científico e a repatriação de fósseis.
A região do Cariri é um dos locais mais ricos em ocorrências fossilíferas do mundo, principalmente nas rochas do Grupo Santana. Assim, até os anos 80 (em uma época em que a legislação brasileira ainda não havia regulamentado o trato de fósseis no Brasil), a população local coletava, guardava e vendia diariamente os fósseis encontrados na região, principalmente pela falta de conhecimento a respeito da paleontologia e do patrimônio paleontológico. Durante os anos 70, estrangeiros norte-americanos compraram vastas porções de terras em Santana do Cariri, onde realizavam extrações privadas de fósseis.
Em 1984, ao observar essa situação, o cearense prof. Plácido Cidade Nuvens, o prefeito de Santana do Cariri, articulou a criação de um Museu de Paleontologia para proteção do patrimônio e ciência local. Devido sua influência, o prefeito Plácido conseguiu adquirir para o Museu, uma parte das terras onde ocorriam extração de fósseis por estrangeiros.
Fundação e primeiros anos (1985-1997)
O museu foi criado pela Lei nº 173/85 de 18 de abril de 1985, oriunda da mensagem do então prefeito de Santana do Cariri, professor Plácido Cidade Nuvens. Enquanto o museu estava em construção em Santana do Cariri, houveram outras ações de pesquisadores e do Estado brasileiro para combater o tráfico de fósseis na região, levando a criação do Centro de Pesquisas Paleontológicas da Chapada do Araripe, no Crato, em 1987. Também houveram articulações com a própria comunidade local para conscientização a cerca do patrimônio fossilífero da região do Cariri, lideradas por pesquisadores como Plácido Cidade Nuvens e Diógenes de Almeida Campos.
Ainda em construção, o museu foi doado à Universidade Regional do Cariri (URCA) em de 12 de abril de 1988, que autorizou a celebração de um contrato de comodato por 30 anos. A inauguração do museu ocorreu no dia 26 de julho de 1988, contando com a presença do reitor da URCA, José Teodoro Soares e da comunidade local. Somente em 1991, o Museu de Paleontologia foi assumido pela URCA, que prometeu " proteger, preservar e disseminar o patrimônio fossilífero da região". Desde então, a universidade tornou-se a principal instituição responsável pela propagação do conhecimeto paleontológico local.
Em 1994, Plácido publicou o livro "Pedras de Peixes de Santana", uma obra dedicada aos estudiosos da Chapada do Araripe, destacando a importância da região na paleontologia nacional. Durante os anos 80 e 90, diversos paleontólogos de outras instituições voltaram suas atenções para a Chapada do Araripe, resultando na descoberta de pterossauros, peixes, plantas e diversos outros organismos extintos que habitaram a região. O avanço dos estudos paleontológicos na região atingiu um novo marco em 1996, com a primeira descoberta de dinossauros na região: o Irritator challengeri, descrito por pesquisadores ingleses e o Angaturama limai, descrito por pesquisadores brasileiros. Atualmente, acredita-se ambos os dinossauros sejam uma mesma espécie.
Desenvolvimento e destaque na paleontologia nacional (1997-2022)
Em 1997, houve a implementação do projeto Complexo Paleontológico da Chapada do Araripe, em parceria com o Geoparque Araripe e a Universidade Regional do Cariri, com objetivo de destacar e incentivar a paleontologia local, com o Museu de Paleontologia sendo o epicentro disso. Dois anos depois, em agosto de 1999, houve a realização do XVI Congresso Brasileiro de Paleontologia em Santana do Cariri, reunindo pesquisadores de todo o país no Museu. No final dos anos 90, o paleontólogo Antônio Álamo Feitosa Saraiva torna-se uma das principais lideranças da pesquisa local, também em contato direto com as comunidades do Cariri.
Em 2009, o Museu de Paleontologia foi fechado para reformas, recebendo R$1 milhão de investimento do governo do Ceará. Foi reaberto 12 meses depois, em novembro de 2010.
Em novembro de 2016, o diretor e fundador Plácido Cidade Nuvens faleceu, deixando um imenso legado no Brasil e na paleontologia. A trajetória de Plácido e seu interesse na proteção do patrimônio paleontológico do Cariri mudou a história local, sendo até hoje reconhecido pelas comunidades e pelos pesquisadores. Após Plácido, o diretor do museu foi o prof. Marcelo Moura Fé, que seria brevemente sucedido em março de 2017, por Sérgio Henrique Carvalho Vilaça.
Em 2017, o museu foi novamente fechado para reformas que envolviam a ampliação da instituição e modernização de equipamentos. A reabertura ocorreria em janeiro de 2018, quando instituição foi oficialmente renomeada em homenagem ao seu fundador: "Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens".
No mesmo ano de reabertura do museu, houve o encerramento de atividades do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) no Crato, que realizava apreensão e curadoria de milhares de fósseis vindos do tráfico ilegal desde 1988. Assim, os 50 mil fósseis que estavam no Centro de Pesquisas Paleontológicas da Chapada do Araripe (CPPCA) tiveram que ser doado à outras instituições apropriadas. Assim, os pesquisadores como Antônio Álamo Saraiva Feitosa, se manifestaram para garantir que esses fósseis permaneçam na região, ou seja, no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens. Contudo, milhares de fósseis foram levados para outras instituições espalhadas pelo país e somente uma parte destes foram doados à URCA. O fechamento do CPPCA e do escritório de DNPM também foi apontado por pesquisadores como um "descaso", pois diminuiria a fiscalização e o combate ao tráfico de fósseis na região.
Em 2019, o prof. Alysson Pinheiro foi nomeado novo diretor do museu e neste mesmo ano, a instituição iniciou a campanha "Lugar de Fóssil É no Museu" com as comunidades locais, com o objetivo de que a população doasse ao museu os fósseis que possuíam em casa, uma prática comum na região. Com essa campanha, mais de 1.050 fósseis foram doados pela população ao Museu de Paleontologia.
No final de 2019, após uma grande operação do Ministério Público Federal (iniciada em 2013) sobre tráfico internacional de fósseis, o sistema judiciário da França recebeu uma solicitação do governo brasileiro para devolução de dezenas de fósseis apreendidos ilegalmente no país europeu. A sentença foi proferida em fevereiro de 2020, favorável à repatriação dos fósseis ao Brasil, porém o processo foi impedido pela Pandemia de COVID-19.
Durante o início da Pandemia de COVID-19 no Brasil (2020), o Museu de Paleontologia foi fechado e cedeu seu espaço para a Prefeitura de Santana do Cariri para abrigar os pacientes infectados pelo vírus, reforçando o compromisso do museu com a população local.
Em 2020, pesquisadores da Alemanha anunciaram a descoberta de um novo dinossauro encontrado na Chapada do Araripe, conhecido como "Ubirajara jubatus", foi um fóssil levado ilegalmente para a Alemanha na década de 90 e ficou no país por trinta anos. O caso gerou grande repercussão internacional, devido a procedência ilegal do fóssil, assim os paleontólogos Aline Ghilardi,Juan Carlos Cisneros e outros pesquisadores iniciaram uma campanha de repatriação da peça ao Brasil. A campanha ficou muito forte na internet brasileira e o fóssil cearense tornou-se um símbolo da luta contra o colonialismo científico e repatriação.