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Nazismo

Ideologia do regime que governou a Alemanha entre 1933 e 1945

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Nazismo (pronúncia em português: [naˈzizmʊ]), oficialmente nacional-socialismo (em alemão: Nationalsozialismus; pronúncia em alemão: [nat͡sjoˈnaːlzot͡sjaˌlɪsmʊs]), é uma ideologia associada a Adolf Hitler e ao Partido Nazista (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP, ou Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) na Alemanha Nazi. Durante a ascensão de Hitler ao poder era frequentemente referido como hitlerismo. O termo relacionado "neonazismo" é aplicado a outros grupos de extrema-direita com ideias semelhantes que se formaram após o colapso do regime nazista.

O nazismo é uma forma de fascismo que despreza a democracia liberal e o sistema parlamentar. Incorpora o racismo científico, o antissemitismo, o anticomunismo e o uso de eugenia no seu credo. O seu nacionalismo extremo tem origem no pangermanismo e do movimento do nacionalismo étnico Völkisch que tem sido um dos principais aspectos do nacionalismo alemão desde o século XIX, e foi fortemente influenciado por grupos paramilitares chamados Freikorps, que surgiram durante a República de Weimar após a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, de onde surge o "culto à violência" do partido. O termo "nacional-socialismo" surgiu a partir da tentativa de redefinição nacionalista do conceito de "socialismo", para criar uma alternativa tanto ao socialismo internacionalista marxista quanto ao capitalismo de livre mercado. A ideologia rejeitava o conceito de luta de classes, assim como defendia a propriedade privada e as empresas de alemães.

O nazismo apoiava teorias pseudocientíficas como a hierarquia racial e o darwinismo social, que atribuíam aos povos germânicos o mais elevado grau de pureza da raça ariana ou nórdica, que apresentavam como a "raça superior". O movimento tinha como objetivo superar as divisões sociais para criar uma sociedade homogênea, ao mesmo tempo que buscava unidade nacional e tradicionalismo. Os nazistas tentavam conseguir isto através de uma "comunidade do povo" (Volksgemeinschaft) que iria unir todos os alemães e excluir aqueles considerados como "povos estrangeiros" (Fremdvölkische). O nazismo também reivindicava com determinação o que entendia serem territórios historicamente alemães sob a doutrina pangermânica (ou Heim ins Reich), além de outras áreas para colonização alemã sob a doutrina de Lebensraum.

O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP) foi fundado em 5 de janeiro de 1919. No início dos anos 1920, Adolf Hitler assume o controle da organização e rebatiza-a para Partido Nazista. O Programa Nacional Socialista, aprovado em 1920, apelava por uma Grande Alemanha unida e que negaria cidadania aos judeus ou aos seus descendentes, além de apoiar a reforma agrária e a nacionalização de algumas indústrias. Em Mein Kampf, escrito em 1924, Hitler delineou o antissemitismo e o anticomunismo no cerne de sua filosofia política, bem como o seu desdém pela democracia parlamentar e sua crença no direito da Alemanha expandir seu território. O poder político era concentrado nas mãos do Führer (ou "líder"). Após o Holocausto e a derrota alemã na Segunda Guerra Mundial, apenas alguns grupos radicais racistas, geralmente referidos como neonazistas, ainda descrevem-se como "nacional-socialistas".

O nome completo do partido era Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (em português: Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) e oficialmente usavam a sigla NSDAP. O termo "nazista" já era usado antes do surgimento do NSDAP como uma palavra coloquial e depreciativa para um fazendeiro ou camponês retrógrado, caracterizando uma pessoa desajeitada. Nesse sentido, a palavra nazista era um hipocorístico do nome masculino alemão Igna(t)z (em si uma variação do nome Inácio). Igna(t)z era um nome comum na época na Baviera, a área de onde o NSDAP surgiu.

Na década de 1920, oponentes políticos do NSDAP no movimento trabalhista alemão aproveitaram isso. Usando o termo "Sozi" para Sozialist por exemplo eles abreviaram o nome do NSDAP, Nationalsozialistische, para desdenhoso "Nazi", a fim de associá-los ao uso depreciativo do termo mencionado acima. O primeiro uso do termo "nazista" pelos nacional-socialistas ocorreu em 1926 em uma publicação de Joseph Goebbels chamada Der Nazi-Sozi ("O Nazi-Sozi"). No panfleto de Goebbels, a palavra "nazista" só aparece quando associada à palavra "Sozi" como uma abreviatura de "nacional-socialismo".

Após a ascensão do NSDAP ao poder na década de 1930, o uso do termo "nazista" por si só ou em termos como "Alemanha nazista ", "regime nazista" e assim por diante foram popularizados por exilados alemães fora do país, mas não na Alemanha. A partir deles, o termo se espalhou para outras línguas e acabou sendo trazido de volta para a Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. O NSDAP adotou brevemente a designação "nazista" em uma tentativa de reapropriar o termo, mas logo desistiu desse esforço e geralmente evitou usar o termo enquanto estava no poder. Em cada caso, os autores se referem a si próprios como "nacional-socialistas" e seu movimento como "nacional-socialismo", mas nunca como "nazistas".

A grande maioria dos estudiosos identifica o nazismo, na prática, como uma expressão da extrema-direita. Entre os temas tipicamente defendidos pela extrema-direita incluídos no nazismo está o argumento de que pessoas "superiores" têm o direito de dominar outros indivíduos e que a sociedade deve expurgar elementos supostamente "inferiores" (vide darwinismo social, antissemitismo e racismo científico). Adolf Hitler e outros membros do partido descreviam oficialmente o movimento nazista como não sendo nem de esquerda e nem de direita, mas sincrético. Em Mein Kampf, Hitler atacava diretamente tanto os políticos de esquerda quanto os da direita na Alemanha, dizendo:

Hoje nossos políticos de esquerda, em particular, estão constantemente a insistir que sua política externa covarde e obsequiosa resulta necessariamente no desarmamento da Alemanha, ao passo que a verdade é que esta é a política de traidores [...] Mas os políticos de direita merecem exatamente a mesma reprovação. Foi através de sua miserável covardia que esses rufiões de judeus que chegaram ao poder em 1918 foram capazes de roubar a nação de nossos braços.

Hitler, quando questionado sobre se apoiava a "burguesia de direita", afirmou que o nazismo não era exclusivamente voltado para qualquer classe social e indicou que não favorecia nem a esquerda nem a direita, mas elementos preservados considerados "puros" de ambos os "campos", ao dizer: "a partir do campo da tradição burguesa, é preciso a determinação nacional, e do materialismo do dogma marxista, o socialismo criativo". Historiadores apontam algumas características socialistas do regime nazista, que tinham como objetivo obter o apoio da classe trabalhadora, mas salientam que elas eram apenas um mecanismo para garantir a adesão para o verdadeiro ideal do nazismo, que era a luta pela supremacia da raça ariana no mundo. "Hitler nunca foi socialista", apontou o historiador britânico Ian Kershaw em sua biografia sobre Hitler.

Os nazistas foram fortemente influenciados pela extrema-direita alemã pós-Primeira Guerra Mundial, que tinha crenças comuns, tais como antimarxismo, antiliberalismo e antissemitismo, além do nacionalismo, do desprezo pelo Tratado de Versalhes e da condenação da República de Weimar por conta da assinatura do armistício em novembro de 1918, que mais tarde culminou na assinatura do Tratado de Versalhes. A grande inspiração para os nazistas foram os nacionalistas Freikorps, organizações paramilitares de extrema-direita que praticavam atos de violência política após a Primeira Guerra Mundial. Inicialmente, a extrema direita alemã pós-Primeira Guerra Mundial era dominada por monarquistas, mas a geração mais jovem, que estava associada ao nacionalismo Völkisch, era mais radical e não manifestava qualquer afetação sobre a restauração da monarquia alemã. Esta geração mais jovem pretendia desmantelar a República de Weimar e criar um novo estado radical e forte baseado numa ética marcial dominante que pudesse reviver o "Espírito de 1914" que estava associado à unidade nacional alemã (Volksgemeinschaft).

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