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Nereu Ramos

20.º presidente do Brasil (1955–1956)

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Nereu de Oliveira Ramos (Lages, 3 de setembro de 1888 — São José dos Pinhais, 16 de junho de 1958), foi um advogado, professor, jornalista e político brasileiro, sendo o 20.º presidente do Brasil entre 11 de novembro de 1955 e 31 de janeiro de 1956. Integrante de uma tradicional família política de Santa Catarina, exerceu mandatos e funções nos três níveis da política brasileira: foi deputado estadual, deputado federal, governador constitucional e interventor federal em Santa Catarina, senador, vice-presidente da República, presidente do Senado Federal, presidente da Câmara dos Deputadose ministro da Justiça e Negócios Interiores.

Nereu chegou à Presidência durante a crise político-militar de novembro de 1955, deflagrada após o afastamento do presidente Café Filho por motivo de saúde, a curta posse de Carlos Luz e o movimento liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, em defesa da posse dos eleitos Juscelino Kubitschek e João Goulart. Na condição de vice-presidente do Senado, assumiu a chefia do Executivo após o Congresso Nacional declarar o impedimento de Carlos Luz e, posteriormente, de Café Filho, governando até a posse de Kubitschek em 31 de janeiro de 1956.

Sua carreira atravessou momentos centrais da história republicana brasileira: a Primeira República, a Revolução de 1930, a Era Vargas, o Estado Novo, a redemocratização de 1945, a Constituinte de 1946, a crise do segundo governo Vargas, a eleição presidencial de 1955 e o início do governo Juscelino Kubitschek.

Nereu de Oliveira Ramos nasceu em Lages, no então Império do Brasil, em 3 de setembro de 1888, filho de Vidal José de Oliveira Ramos e de Teresa Fiúza Ramos. Pertencia a uma família de grande influência política em Santa Catarina. Seu pai, Vidal Ramos, foi uma das principais lideranças republicanas do estado, exercendo mandatos parlamentares e o governo catarinense; a família também se relacionava com outras linhagens políticas catarinenses, como os Konder e os Bornhausen, que tiveram papel destacado na política estadual ao longo do século XX.

A infância de Nereu ocorreu em um ambiente marcado pela vida pública, pela propriedade rural e pela influência política regional. A posição da família Ramos em Lages e sua projeção estadual contribuíram para inserir o jovem Nereu em redes sociais e políticas que se tornariam decisivas em sua trajetória. O CPDOC/FGV descreve a família como parte de uma elite política e econômica catarinense com presença duradoura nos cargos estaduais e nacionais.

Fez os primeiros estudos em Santa Catarina e cursou o ensino secundário no Internato Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Em 1905, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, instituição formadora de parte importante da elite política brasileira da Primeira República. Durante o curso, participou da vida acadêmica, atuou na redação da revista XI de Agosto e integrou atividades estudantis ligadas à cultura jurídica e política da época. Formou-se em Direito em 1909.

Após a formatura, retornou a Santa Catarina, dedicando-se inicialmente à advocacia. A experiência jurídica, associada à atividade jornalística e ao ambiente familiar, ajudou a compor o perfil que marcaria sua vida pública: um político de formação bacharelesca, articulador partidário e conhecedor das instituições legislativas.

Advocacia, jornalismo e primeiros cargos públicos

Nereu Ramos começou sua vida profissional como advogado em Santa Catarina e, paralelamente, aproximou-se do jornalismo político. Foi redator-chefe de O Dia e, posteriormente, participou da fundação de jornais e periódicos ligados à disputa política catarinense, entre eles A Noite e A República. A imprensa, naquele contexto, funcionava como instrumento de organização partidária, difusão de ideias e combate entre grupos oligárquicos estaduais.

A carreira parlamentar teve início ainda jovem. Foi eleito deputado estadual em Santa Catarina para o período de 1911 a 1912, mas renunciou ao mandato para servir como secretário da delegação brasileira em conferências internacionais de direito marítimo e letras de câmbio realizadas na Europa, em Bruxelas e Haia. Essa experiência reforçou sua formação jurídica e seu contato com temas internacionais.

Em 1914, durante o governo estadual de seu pai, Vidal Ramos, Nereu ocupou função no gabinete oficial catarinense. No mesmo período, consolidou-se como jornalista político e defensor das posições aliadas durante a Primeira Guerra Mundial, manifestando-se favoravelmente à entrada do Brasil no conflito contra a Alemanha. A atuação na imprensa contribuiu para sua projeção como figura pública em Santa Catarina.

Em 1919, voltou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina como deputado estadual. Nessa etapa, aproximou-se de movimentos oposicionistas ao grupo de Hercílio Luz e participou da organização da Reação Republicana no estado, movimento nacional que apoiou a candidatura presidencial de Nilo Peçanha em 1922 contra a candidatura governista de Artur Bernardes.

Primeira República e oposição em Santa Catarina

Durante a década de 1920, Nereu Ramos tornou-se um dos articuladores de oposição em Santa Catarina. A política estadual era marcada pela disputa entre grupos familiares e facções republicanas, dentro de um sistema ainda fortemente controlado pelas oligarquias regionais. Sua atuação combinou tribuna parlamentar, imprensa partidária e articulação de alianças locais.

O engajamento na Reação Republicana demonstrou sua inserção nos conflitos nacionais da Primeira República. Embora o movimento tenha sido derrotado no plano eleitoral, ele contribuiu para criar redes oposicionistas que, anos depois, dialogariam com a Aliança Liberal e com a crise política que antecedeu a Revolução de 1930.

Nesse período, Nereu também se consolidou como liderança de uma corrente política própria em Santa Catarina, em diálogo e disputa com outras lideranças estaduais. Sua trajetória não foi apenas local: desde cedo, transitou entre a política catarinense e os debates nacionais, característica que explicaria sua presença em momentos decisivos da política brasileira nas décadas seguintes.

Revolução de 1930 e ascensão nacional

Com a crise final da Primeira República, Nereu Ramos aderiu à Aliança Liberal em Santa Catarina. Em 1930, foi eleito deputado federal, mas a Revolução de 1930 interrompeu o funcionamento regular das instituições representativas. O movimento levou Getúlio Vargas ao poder e alterou profundamente o sistema político brasileiro, inclusive em Santa Catarina, onde a recomposição de forças abriu espaço para novas lideranças e para a intervenção federal nos estados.

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