Nicola Cabibbo (Roma, 10 de abril de 1935 — Roma, 16 de agosto de 2010) foi um físico italiano.
Conhecido por trabalhos sobre a interação nuclear fraca, foi presidente do Instituto Nacional de Física Nuclear (INFN) da Itália, de 1983 a 1992 e, desde 1993, presidente da Pontifícia Academia das Ciências. Atualmente é professor do Departamento de Física da Università degli Studi di Roma "La Sapienza" e conduz estudos e pesquisas sobre o retículo QCD e um projeto de array, no âmbito do projeto APEnext, capaz de executar os cálculos requeridos pela teoria.
Nicola Cabibbo obteve resultados científicos fundamentais no campo da física das partículas, estudando a interação fraca. Formulou em 1963 a teoria válida para os processos em que há mudança de estranheza, introduzindo o chamado ângulo de Cabibbo.
Seus estudos sobre as interações fracas, feitos para explicar o comportamento das partículas estranhas, permitiram, graças à ampliação da ideia proposta por ele, em 1963, formular a hipótese de existência de pelo menos três famílias de quark. Esta hipótese foi utilizada para explicar, através da Matriz Cabibbo-Kobayashi-Maskawa (Matriz CKM), a violação da simetria CP.
Em 1973 Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa propuseram, utilizando a matriz CKM, uma generalização multidimensional do modelo do ângulo de Cabibbo, a partir da qual foi possível prever a existência de seis diferentes sabores para os quark. Por esse trabalho, Kobayashi e Maskawa foram laureados com o Nobel de Física, em 2008. Alguns físicos, especialmente os italianos, estranharam que o comitê do Nobel não tenha indicado Cabibbo, por sua contribuição. Indagado sobre a premiação, Cabibbo preferiu não tecer comentários.
Filho de um advogado e de uma dona de casa, viveu a infância durante a Segunda Guerra Mundial, na Roma ocupada. Desde cedo, interessou-se pela astronomia, pela eletrônica e pela matemática.
Graduado em 1958, logo tornou-se pesquisador do INFN e depois, dos Laboratórios Nacionais de Frascati, no período em que se estudavam os anéis de acumulação (storage ring) de elétrons e positrons, escreveu um artigo, publicado em 1961, ao qual seus colegas se referiam como "a Bíblia" pois continha os cálculos teóricos de todas as seções de choque dos processos de Física das partículas conjecturados na época.
Continua a sua atividade de pesquisa como pesquisador do CERN de Genebra, inicialmente como fellow e depois de passar o ano de 1963 no Lawrence Berkeley National Laboratory, em Berkeley, Califórnia, como senior scientist. Neste mesmo período, publica o artigo que o tornará famoso na comunidade científica. Em 1963, envia à Physical Rewiev Letters o texto em que propõe o ângulo de Cabibbo, para explicar as mudanças de sabor dos quark, durante as interações fracas. Este artigo foi o mais citado, desde 1893 até 2003, pela Physical Review da American Physical Society, uma das mais antigas e respeitadas publicações científicas do mundo.
Em 1965, após um período na Harvard University como professor contratado, foi convidado pela Universidade de Aquila para lecionar Física Teórica. No ano seguinte, transfere-se para a Universidade La Sapienza de Roma, onde permanece, sempre como professor de Física Teórica, até 1982, ano em que se transfere para a Universidade de Roma Tor Vergata, permanecendo até 1993 quando volta a La Sapienza, como professor de Física das partículas elementares.
Além da atividade docente, continuam os seus períodos de estudo e ensino no exterior. É membro do Institute for Advanced Study de Princeton (de 1970 a 1973), e visiting professor da Universidade de Paris VI - Pierre & Marie Curie (1977-1978), Universidade de Nova York (1980-1981), Universidade de Syracuse (1986-1992) e novamente do CERN (2003-2004).
De 1985 a 1993 foi presidente do INFN, e de 1993 a 1998, presidente do Ente per le Nuove Tecnologie, l'Energia e l'Ambiente - ENEA. É sócio nacional da Accademia Nazionale dei Lincei (Academia Nacional dos Linces), a mais antiga academia científica da Europa, e é um dos cinco cientistas italianos membros da National Accademy of Science dos EUA. Desde 1986 é membro e, desde 1993, presidente Pontifícia Academia das Ciências.
Nicola Cabibbo, morreu em 16 agosto de 2010 aos 75 anos de idade, devido a problemas respiratórios.
O principal trabalho de Cabibbo sobre a interação fraca originou-se da necessidade de explicar dois fenômenos observados:
As transições entre os quarks down e up, entre elétrons e neutrinos do elétron, e entre múons e neutrinos do múon tinham probabilidade semelhante de ocorrer (amplitudes semelhantes); e
As transições com mudança na estranheza tinham amplitudes iguais a um quarto daquelas sem mudança na estranheza.
Cabibbo abordou essas questões, seguindo Murray Gell-Mann e Maurice Lévy, postulando a universalidade fraca, que envolve uma similaridade na força de acoplamento da interação fraca entre diferentes gerações de partículas. Ele abordou a segunda questão com um ângulo de mistura θC (agora chamado de ângulo de Cabibbo), entre os quarks down e estranho. Medições modernas mostram que θC = 13,04°.
Ele foi agraciado com o Prêmio de Física de Altas Energias e Partículas da Sociedade Europeia de Física em 1991, "pela teoria das interações fracas que levou ao conceito de mistura de quarks". Antes da descoberta da terceira geração de quarks, este trabalho foi estendido por Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa para a matriz Cabibbo-Kobayashi-Maskawa. Em 2008, Kobayashi e Maskawa compartilharam metade do Prêmio Nobel de Física por seu trabalho. Alguns físicos ficaram ressentidos pelo fato de o comitê do Prêmio Nobel não ter recompensado Cabibbo por sua participação vital. Ao ser questionado sobre sua reação ao prêmio, Cabibbo preferiu não fazer comentários. De acordo com fontes próximas a ele, no entanto, ele ficou amargurado.
Mais tarde, Cabibbo pesquisou aplicações de supercomputadores para abordar problemas na física moderna com os experimentos APE 100 e APE 1000.