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Paolo Sarpi

Paolo Sarpi (Veneza, 14 de agosto de 1552 – Veneza, 15 de janeiro de 1623) foi um polímata italiano que se destacou como

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Paolo Sarpi (Veneza, 14 de agosto de 1552 – Veneza, 15 de janeiro de 1623) foi um polímata italiano que se destacou como religioso, teólogo, historiador, astrônomo, matemático, físico, anatomista, escritor e polemista italiano da Ordem dos Servos de Maria.

Sarpi residiu em Veneza durante a época do interdito papal. Suas escritas altamente polêmicas, que em sua maioria criticavam a Igreja Católica e suas tradições, influenciaram Hobbes e Gibbon em seus próprios trabalhos para desmascarar a Igreja.

Em Londres, no ano de 1619, foi publicado o maior trabalho de Sarpi, A História do Concílio de Trento; outras obras, como a História dos Benefícios Eclesiásticos, a História do Interdito e seu Suplemento à História dos Uskoks, foram publicadas postumamente. Organizados em torno de tópicos únicos, são exemplos iniciais do gênero da monografia histórica. Paolo era defensor do pensamento livre, do republicanismo da liberdade da República Veneziana e da separação da Igreja e estado, sendo para muitos um dos percursores do protestantismo. As últimas palavras de Padre Paolo, "Esto perpetua" ("que ela [a república] viva para sempre"), estão presentes em uma carta escrita por John Adams para Thomas Jefferson, o que demonstra a credibilidade de Sarpi diante de outras figuras históricas.

Paolo Sarpi era um seguidor atento das mais recentes pesquisas nas áreas de astronomia, anatomia e balística da Universidade de Pádua.

Ele nasceu Pietro Sarpi. Seu pai era comerciante, embora não bem-sucedido; sua mãe era uma nobre veneziana. Seu pai morreu quando ele ainda era criança. O menino brilhante e precoce foi educado por seu tio materno, um professor, e depois por Giammaria Capella, um frade servita. Em 1566, aos treze anos, ele também ingressou na Ordem, recebendo mais tarde o nome religioso de Fra (Irmão) Paolo, pelo qual, com o epíteto Servita, ele sempre foi conhecido por seus contemporâneos.

Sarpi foi designado para um mosteiro em Mântua por volta de 1567. Em 1570, defendeu suas teses em uma disputa acadêmica e foi convidado a permanecer como teólogo da corte do Duque Guglielmo Gonzaga. Ele permaneceu quatro anos em Mântua, estudando matemática e línguas orientais. Em seguida, foi para Milão em 1575, onde foi conselheiro de Carlos Borromeu, futuro santo, mas foi transferido por seus superiores para Veneza, para servir como professor de filosofia no mosteiro servita. Em 1579, foi eleito Prior Provincial da Província Veneziana da Ordem Servita, enquanto estudava na Universidade de Pádua. Simultaneamente, foi nomeado Procurador-Geral da Ordem. Nessa função, foi enviado a Roma, onde interagiu com três papas sucessivos, o Grande Inquisidor e outras pessoas influentes.

Sarpi retornou a Veneza em 1588 e passou os 17 anos seguintes estudando, ocasionalmente interrompido pelas disputas internas de sua comunidade. Em 1601, foi recomendado pelo Senado veneziano para o bispado de Caorle, mas o núncio papal, que desejava obtê-lo para um protegido seu, acusou Sarpi de negar a imortalidade da alma e contestar a autoridade de Aristóteles. Uma tentativa de obter outro bispado no ano seguinte também fracassou, pois o Papa Clemente VIII se ofendeu com o hábito de Sarpi de se corresponder com hereges eruditos.

Clemente VIII morreu em março de 1605, e a postura de seu sucessor, o Papa Paulo V, tensionou os limites da prerrogativa papal. Veneza, simultaneamente, adotou medidas para restringi-la: o direito dos tribunais seculares de tomar conhecimento das ofensas de eclesiásticos havia sido afirmado em dois casos emblemáticos, assim como o alcance de duas antigas leis da cidade: uma que proibia a fundação de novas igrejas ou congregações eclesiásticas sem o consentimento do Estado, e outra que proibia a aquisição de propriedades por sacerdotes ou entidades religiosas. Essas leis haviam sido estendidas a todo o território da república. Em janeiro de 1606, o núncio papal entregou um breve exigindo a submissão incondicional dos venezianos. O Senado prometeu proteção a todos os eclesiásticos que, nessa emergência, auxiliassem a república com seus conselhos. Sarpi apresentou uma memória, salientando que as ameaças de censura poderiam ser enfrentadas de duas maneiras: de facto, proibindo sua publicação, e de jure, por meio de um apelo a um concílio geral. O documento foi bem recebido, e Sarpi foi nomeado canonista e conselheiro teológico da república.

Em abril seguinte, as esperanças de um compromisso foram dissipadas pela excomunhão dos venezianos por Paulo e sua tentativa de impor um interdito sobre seus domínios. Sarpi entrou energicamente na controvérsia. Ele começou republicando as opiniões antipapais do canonista Jean Gerson (1363–1429). Em um tratado anônimo publicado pouco depois (Risposta di un Dottore in Teologia), ele estabeleceu princípios que atacavam radicalmente a autoridade papal em assuntos seculares. Este livro foi prontamente incluído no Index Librorum Prohibitorum e o Cardeal Belarmino atacou severamente a obra de Gerson. Sarpi então respondeu em uma Apologia. As Considerazioni sulle censure e o Trattato dell'interdetto, este último parcialmente preparado sob sua direção por outros teólogos, logo se seguiram. Numerosos outros panfletos apareceram, inspirados ou controlados por Sarpi, que havia recebido a nomeação adicional de censor de tudo o que era escrito em Veneza em defesa da república.

Seguindo o conselho de Sarpi, o clero veneziano, em grande parte, ignorou o interdito e desempenhou suas funções normalmente, com a principal exceção dos jesuítas, que partiram por vontade própria, mas foram simultaneamente declarados expulsos por lei. As potências católicas, França e Espanha, recusaram-se a envolver-se na disputa e recorreram à diplomacia. Por fim (abril de 1607), a mediação do rei Henrique IV da França articulou um acordo que preservou a dignidade do papa, mas cedeu nos pontos em questão. Os dois sacerdotes foram devolvidos a Roma, mas Veneza reservou-se o direito de julgar o clero em tribunais civis. O resultado provou não tanto a derrota das pretensões papais, mas o reconhecimento de que os interditos e a excomunhão haviam perdido sua força. "A República", disse Sarpi, "abalou as reivindicações papais. Pois quem já ouviu falar de um interdito papal, publicado com toda a solenidade, que terminou em fumaça?"

Tentativa de assassinato e vida posterior

A república recompensou Sarpi com a distinção de Conselheiro de Estado em Jurisprudência e a liberdade de acesso aos arquivos do Estado. Essas honras exasperaram seus adversários, particularmente o Papa Paulo V. Em setembro de 1607, por instigação do papa e de seu cardeal-sobrinho, Scipione Borghese, Fa Sarpi tornou-se alvo de uma tentativa de assassinato. Um frade laicizado e bandido chamado Rotilio Orlandini, auxiliado por seus dois cunhados, concordou em matar Sarpi pela quantia de 8 000 coroas. No entanto, o plano de Orlandini foi descoberto e, quando os três assassinos cruzaram do território papal para o território veneziano, foram presos e encarcerados.

Em 5 de outubro de 1607, Sarpi foi atacado por assassinos e dado como morto com três golpes de estilete, mas recuperou-se. Seus agressores encontraram refúgio e uma recepção calorosa nos territórios papais (descrita por um contemporâneo como uma "marcha triunfal"), e o entusiasmo papal pelos assassinos só diminuiu depois de saberem que Fra Sarpi não estava morto. O líder dos assassinos, Poma, declarou que tentara o assassinato por motivos religiosos. O próprio Sarpi, quando seu cirurgião comentou sobre o caráter irregular e pouco artístico dos ferimentos, respondeu: "Agnosco stylum Romanae Curiae" ("Reconheço o estilo da Cúria Romana"). Os aspirantes a assassinos de Sarpi se estabeleceram em Roma e, eventualmente, receberam uma pensão do vice-rei de Nápoles, Pedro Téllez-Girón, 3º Duque de Osuna.

O restante da vida de Sarpi foi passado pacificamente em seu claustro, embora conspirações contra ele continuassem a ser tramadas, e ele ocasionalmente falasse em refugiar-se na Inglaterra. Quando não estava ocupado preparando documentos oficiais, dedicava-se a estudos científicos e compôs diversas obras. Serviu ao Estado até o fim. Na véspera de sua morte, ditou três respostas a perguntas sobre assuntos da República de Veneza, e suas últimas palavras foram "Esto perpetua".

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