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Papa Marcelino

29º Papa da Igreja Católica

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Marcelino (em latim: Marcellinus) (Roma, — Roma, c. 25 de outubro de 304) foi o Papa da Igreja Católica de 30 de junho de 296 até a data de sua morte, em c. 25 de outubro de 304 — coincidindo com a perseguição de Diocleciano. Sob seu Pontificado surgiu o primeiro país cristão — Armênia.

Segundo o Liber Pontificalis, na época dos imperadores Diocleciano e Maximiano houve uma grande perseguição aos cristãos. Marcelino foi martirizado e decapitado. Seu corpo, junto com outros martirizados, permaneceu exposto por 26 dias na via pública. Os corpos foram recolhidos pelo então sacerdote e futuro sucessor de Marcelino, Marcelo, e outros diáconos. Recolheram os corpos à noite com hinos e os enterraram na Via Salária, na catacumba de Priscila.

O Catálogo Liberiano diz que o sepultamento foi em 25 de outubro.[carece de fontes?] Após um intervalo de tempo considerável, foi sucedido por Marcelo.

O Liber Pontificalis e as demais fontes

Segundo o Liber Pontificalis, Marcelino era romano, filho de Præjectus. O Catálogo Liberiano reporta que ele foi sagrado bispo de Roma em 30 de junho de 296. Tais dados, aceitos pelo autor de Liber Pontificalis, foram verificados por aquela antiga fonte. Dos seus 8 anos de pontificado, nada é descrito. Entretanto, no epitáfio do sepulcro do diácono Severo, nas Catacumbas de São Calisto, é possível deduzir que, naquele período, o cemitério principal de Roma foi ampliado com as novas câmaras sepulcrais. Na epígrafe, lê-se: “Cubiculum duplex cum arcosoliis et luminare Iussu papæ sui Marcellini diaconus iste Severus fecit mansionen in pace quietam...” (O diácono Severo fez este duplo cubículo com seus arcossólios e as suas luminárias por ordem do seu Papa Marcelino, como silente mansão da paz). Isto teria acontecido antes do início da grande perseguição de Diocleciano contra os cristãos no Império Romano, durante a qual as Catacumbas de São Calisto, como os outros locais de culto público da comunidade cristã de Roma, foram brutalmente confiscados. Giovanni Battista de Rossi afirmou que os cristãos, naquele período, bloquearam as galerias principais das catacumbas para proteger da profanação as numerosas tumbas dos mártires que ali repousavam.

O César Galério liderou o movimento pagão contra a cristandade, em 302, e, no ano seguinte, convenceu Diocleciano sobre o perigo que os cristãos representavam para o Estado. Dois incêndios no palácio real – ainda que existam dúvidas sobre a responsabilidade do próprio Galério – levaram o imperador, inicialmente relutante, a emitir um primeiro édito de perseguição e intolerância.

Os soldados cristãos foram obrigados a deixar o exército. As propriedades da Igreja foram confiscadas, os livros sagrados, destruídos, e as funções religiosas, proibidas. Além disso, os cristãos foram obrigados a renunciar à própria fé, sob pena de condenação à morte. A própria esposa de Diocleciano, Prisca, e a sua filha Valéria, ambas cristãs, foram forçadas a adorar as divindades pagãs.

Existiam relatos que o acusavam de ter entregado os textos sagrados depois do primeiro édito ou ter oferecido incenso aos deuses pagãos para escapar da perseguição.

No início do Século V, Petiliano, o bispo donatista de Constantina, afirmou que Marcelino e os presbíteros romanos Marcelo, Melquíades e Silvestre – futuros papas – entregaram os livros sagrados aos pagãos e adoram os falsos deuses, ainda que não houvesse nenhuma prova.

Nos atos do confisco dos edifícios da Igreja, em Roma, levados pelos donatistas à Conferência de Cartago, falou-se que apenas dois diáconos apostataram: Stratone e Cássio. Santo Agostinho, nas suas réplicas a Petiliano, questionou a informação (Contra litteras Petiliani, II, 202: De quibus et nos solum respondemus: aut non probatis et ad neminem pertinet, aut probatis et ad nos non pertinet; De unico baptismo contra Petilianum, cap. xvi: Ipse scelestos et sacrilegos fuisse dicit; ego innocentes fuisse respondeo). Das acusações de Petiliano, pode-se concluir apenas que essas vozes sobre Marcelino e os seus padres circularam efetivamente na Província da África, mas que não puderam ser provadas. Se fosse ao contrário, Agostinho não teria defendido tão tenazmente.

Entretanto, essas afirmações sobre Marcelino foram sentidas também em alguns círculos romanos. Em outros dois contos sucessivos, atribuiu-se ao papa um ato de formal apostasia, naturalmente seguido de arrependimento e penitência pública.

A biografia de Marcelino contida no Liber Pontificalis, que provavelmente retomava uma perdida passio, afirmava que teria sido obrigado a sacrificar aos deuses e queimado incenso em honra deles. Todavia, depois de alguns dias, foi vencido pelo arrependimento e confessou a fé em Cristo. Por isto, juntamente a outros três cristãos, foi condenado à morte por Diocleciano — foram decapitados. Parece bastante evidente que tal versão buscou conciliar os boatos de que o papa tinha apostatado com o fato de que em outros ambientes foi visto como um mártir e a sua tumba era venerada.

No início do Século VI, precisamente depois que esta passio Marcellini foi difundida, apareceu uma série de documentos falsificados que foram usados na disputa entre o Papa Símaco e o Antipapa Lourenço. Entre eles, estavam os Atos apócrifos de um sínodo de 300 bispos mantidos na extinta cidade de Sinuessa, entre Roma e Cápua, para investigar as acusações contra Marcelino. Nos primeiros dois dias, Marcelino negou todas as acusações, mas no terceiro confessou e se arrependeu. Não obstante, o sínodo não o condenou, quia prima Sedes non iudicatur a quoquam ("porque a primeira Sé não pode ser julgada por ninguém").

Quando Diocleciano tomou conhecimento do acontecido, impôs a morte ao papa e aos bispos que participaram do sínodo. Também esses documentos, em si mesmos, não podem ser considerados como prova histórica. Aceita-se como certo que o papa não tenha acatado abertamente o édito imperial, já que tal apostasia do bispo de Roma teria tido grande repercussão nos autores contemporâneos a ele. Eusébio também não aceitou essa tese. Teodoreto, na sua Historia Ecclesiastica, afirmou que Marcelino foi um exemplo durante a perseguição (ton ’en tô diogmô diaprépsanta (Historia Ecclesiastica, I, 2).

Por outro lado, merece nota como na Cronografia Romana, cuja primeira edição remonta a 336, falte apenas o nome desse papa. Em verdade, no manuscrito, o nome de Marcelino era relatado em 16 de janeiro (XVIII kal. Feb.), mas se tratava, evidentemente, de uma imprecisão, uma troca por Marcelo, seu sucessor. De fato, a festa litúrgica deste último acontece nesta mesma data, seja no Martyrologium Hieronymianum, seja nos velhos livros litúrgicos, enquanto que no Liber Pontificalis e, por conseqüência, nos martirológios do Século IX, a festa de Marcelino é celebrada em 26 de abril (Acta SS., June, VII, 185). Segundo alguns estudiosos, como Theodor Mommsen, de Smedt, a ausência do nome de Marcelino deveu-se à simples omissão de um copista, por causa da semelhança dos nomes dos dois papas, mas esta hipótese não foi aceita universalmente. Outros estudiosos afirmam que essa omissão foi intencional, e não acidental.

Em relação às vozes e aos apócrifos supracitados, é necessário admitir que, em quaisquer ambientes de Roma, a conduta do papa durante a "Grande Perseguição" não foi aprovada. Neste período de intolerância, sabe-se apenas o nome de dois membros do clero romano que tenham sido martirizados: o presbítero Marcelino e o exorcista Pedro. O bispo de Roma e o alto clero conseguiram iludir seus perseguidores. Como isso se deu é ignorado. É possível que o papa Marcelino e muitos outros bispos tenham conseguido se esconder em um lugar seguro. Mas é também possível que, no momento da publicação do édito, lhes fosse assegurada de algum modo a imunidade. Por esta razão, em alguns ambientes romanos, poderia ser acusado de fraqueza e a sua memória, conseguintemente, teria sido omitida pelo autor do Depositio Episcoporum da Cronografia, enquanto encontrou lugar no Catalogo Liberiano que lhe é contemporâneo. Contudo, a sua tumba foi venerada pelos cristãos de Roma e foi reconhecido também como mártir, como demonstra a sua passio.

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