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Paraibano (Maranhão)

Município brasileiro no estado do Maranhão

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Paraibano é um município brasileiro do estado do Maranhão. Sua população estimada segundo o censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de 18.274 habitantes. Desmembrado do município de Pastos Bons, possui uma área de aproximadamente 530,5 km².

Antonio Brito Lira (1873-1947) e seus familiares constituem a família fundadora do município de Paraibano. Mais conhecido como Antonio Paraibano, recebeu essa alcunha embora fosse natural de Taquaritinga do Norte (pertencente, na época, ao município de Surubim), no estado de Pernambuco. As raízes da linhagem remontam a um período anterior, originando-se do matrimônio entre um senhor de engenho e uma cidadã portuguesa. Dessa união descendeu Francisco de Brito Lira, que, em seu casamento com Ana Maria da Conceição, gerou vinte filhos, sendo um deles Antonio Paraibano.

Os "Paraibanos", em fuga da seca que assolava sua região de origem, percorreram diversos estados do Nordeste em busca de um local para fixação. Chegaram à localidade dos "pastos bons" em março de 1920 e estabeleceram-se definitivamente, no ano de 1923, na área onde hoje está situada a cidade. Naquela época, grande parte daquelas terras pertencia a um capitão da Guarda Nacional denominado Faustino Coelho de Sousa. Devido à presença de um extenso brejo, o lugar tornou-se conhecido como "Brejo do Faustino".

Quando chegaram ao local, já havia outros moradores, a exemplo de agregados e alguns pequenos proprietários. Estes praticavam apenas a agricultura de subsistência e, por conseguinte, não comercializavam seus produtos. O abastecimento ocorria principalmente nos centros vizinhos, isto é, São João dos Patos e Pastos Bons, sendo este último a sede municipal da época.

Por serem oriundos de uma área então mais desenvolvida, Antonio Paraibano e sua família trouxeram técnicas agrícolas inéditas para o local. O patriarca adquiriu uma gleba de terra por 200 mil-réis de José Fernandes de Sousa, cunhado do capitão Faustino. Deu-se, então, o início do desenvolvimento do que futuramente se tornaria conhecido como "Brejo dos Paraibanos", impulsionado pela chegada de diversos outros parentes.

Após o estabelecimento da família, a pequena vila começou a prosperar. Em 1932, João Brito Lira, um dos filhos de Antonio e mais conhecido como João Paraibano — relatado como o membro mais ativo da família —, passou a trazer mercadorias para comercialização, suprindo de forma satisfatória as necessidades da população local. Entre 1933 e 1934, foi edificada a residência de Antonio Paraibano, construção atualmente conhecida como "Sobrado Velho", em cujo entorno o povoado passou a se expandir.

Em 1939, o interventor Paulo Martins de Sousa Ramos, ao se deslocar de São João dos Patos a Pastos Bons, passou acidentalmente pelo Brejo, pois desconhecia a existência do povoado. Ao ser informado sobre o trajeto do interventor, João Paraibano mobilizou um grupo de pessoas com faixas em sua homenagem. A autoridade impressionou-se com as dimensões do assentamento e elogiou o sobrado, afirmando ser uma edificação mais suntuosa que a residência de Joanna da Rocha Santos, a "Dona Noca". Esta era, à época, prefeita de São João dos Patos e notória adversária política dos paraibanos.

João Paraibano organizou, ainda, uma feira nas imediações do sobrado de seu pai, onde diversos produtores, muitos provenientes de municípios vizinhos, comercializavam suas mercadorias. Os tropeiros, que transportavam produtos no lombo de muares, frequentavam o local tanto para a compra quanto para a venda de insumos. Diante desse desenvolvimento, a prefeita de São João dos Patos, Dona Noca, promoveu a criação de uma feira semelhante nas proximidades, com o objetivo de recuperar a hegemonia comercial local.

Em 1948, outro filho de Antonio Paraibano, Guilhermino Brito Lira, reuniu-se com os negociantes locais para organizar a construção de um mercado, uma vez que a escala do comércio já demandava tal infraestrutura. Sem o auxílio do poder público de Pastos Bons, o espaço foi edificado com recursos exclusivos dos próprios comerciantes. A partir de então, o Brejo passou a exportar variados produtos para todo o Nordeste, tais como azeite de babaçu, algodão, aguardente, rapadura e calçados. Simultaneamente, diversos mascates deslocavam-se aos grandes centros urbanos do Brasil a fim de adquirir novos produtos para comercialização local.

Na década de 1950, o Brejo dos Paraibanos já se equiparava a Pastos Bons em termos de desenvolvimento socioeconômico; no entanto, a emancipação ocorreu, primariamente, por motivações políticas. Dona Noca, valendo-se de toda a sua influência (a ponto de ser alcunhada "Rainha do Sertão"), não admitia a ascensão dos paraibanos, com destaque para a figura de Guilhermino Brito. Anos antes, em 1943, em decorrência de perseguições perpetradas pela referida liderança política, João Paraibano já havia se retirado da localidade.

Guilhermino, que àquela altura consolidara-se não apenas como líder comercial, mas também político, articulava-se diretamente com o governador do estado, preterindo a prefeitura de Pastos Bons — esta, também subordinada à zona de influência de Dona Noca.

No final de 1952, Guilhermino recebeu em sua residência os deputados Gonçalo Moreira Lima e Djalma Brito (este, sobrinho do senador Vitorino Freire). Os parlamentares apresentaram a proposta de elevar o povoado — o mais desenvolvido do território de Pastos Bons à época — à categoria de município. Segundo registros históricos, a sede municipal servia-se da arrecadação tributária gerada pelo Brejo sem oferecer contrapartidas em infraestrutura ou serviços.

Solicitou-se a Guilhermino a formulação de um abaixo-assinado contendo quinhentas assinaturas de eleitores, requisito para dar entrada ao pedido de emancipação. A exigência foi cumprida com celeridade, estando o documento pronto no dia subsequente. O deputado Gonçalo Moreira protocolou o projeto na Assembleia Legislativa, ressaltando desde o princípio que o novo município receberia o topônimo "Paraibano", em justa homenagem aos agentes responsáveis pelo desenvolvimento do antigo "Brejo do Faustino". Um dos pré-requisitos para a fundação de um município, naquele contexto, era a comprovação de uma renda de Cr$ 50.000,00 (cinquenta mil cruzeiros). Estima-se que a arrecadação da vila fosse superior a Cr$ 300.000,00 (trezentos mil cruzeiros), montante seis vezes maior que o exigido por lei.

O processo tramitou a partir de outubro de 1952, culminando na emancipação em 30 de dezembro do mesmo ano. A instalação oficial ocorreu em 6 de janeiro de 1953, data em que José Brito Lira, também filho de Antonio Paraibano, tomou posse como o primeiro prefeito paraibanense.

Com uma área territorial de 530,517 km², Paraibano é o 166° maior município do Maranhão e o 2363° do Brasil.

Localizado na Mesorregião Leste Maranhense e na Microrregião Chapadas do Alto Itapecuru, a cidade faz parte da Região Intermediária de Presidente Dutra e da Região Imediata de São João dos Patos.

ibge.gov.br: Perfil do município

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