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Paraty

Município brasileiro no estado do Rio de Janeiro

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Paraty é um município brasileiro do litoral sul do estado do Rio de Janeiro. Está distante 258 quilômetros da capital estadual, a cidade do Rio de Janeiro. Junto ao oceano Atlântico, o território municipal está a uma altitude média de apenas cinco metros do nível do mar. Possui 924,295 quilômetros quadrados, com uma população recenseada em 2022 de 45.243 habitantes, representando uma densidade demográfica de 48,95 habitantes por quilômetro quadrado. É o 39º município mais populoso do Rio de Janeiro.

O tupinólogo Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), aponta o étimo parati'y, do tupi antigo, que significa "rio dos paratis", pela junção de parati (parati) e 'y (rio). Paraty é tanto uma espécie de peixe da família dos mugilídeos quanto uma variedade de mandioca, mas Navarro afirma que o topônimo provém do nome do peixe.

O gentílico de Paraty escreve-se com "i": seus habitantes são denominados paratienses.

Originalmente, a região de Paraty era habitada pelos indígenas guaianás, do tronco linguístico macro-jê. Por volta do ano 1000, chegaram à região os tupis, vindos da Amazônia, que eram ancestrais dos tamoios encontrados pelos portugueses no século XVI.

Após a chegada dos europeus, no século XVI, a dinâmica da população indígena em Paraty sofreu transformações significativas. O contato com os colonizadores trouxe consigo desafios como doenças, para as quais os indígenas não tinham imunidade, e conflitos territoriais, que alteraram profundamente as estruturas sociais e culturais desses povos. No entanto, vestígios da resistência e da influência indígena permanecem na área, visíveis em aspectos da cultura local, como as festas de São Benedito, tradicionalmente associadas aos descendentes dos escravizados e indígenas, e na culinária, que ainda conserva traços dos métodos tradicionais de preparo dos alimentos. Além disso, a região de Serra da Bocaina, próxima a Paraty, é um importante refúgio para os descendentes dessas comunidades indígenas, onde tentam preservar suas tradições e modos de vida, apesar da crescente pressão do turismo e expansão urbana.

Início da colonização europeia e fundação da vila

Nos primeiros anos do século XVI, os portugueses já conheciam a trilha aberta pelos indígenas guaianás (Trilha dos Guaianás), ligando as praias de Paraty ao vale do Paraíba, no atual estado de São Paulo, transpondo a Serra do Mar. O primeiro registro escrito sobre a região da atual Paraty é o livro do mercenário alemão Hans Staden, "História verdadeira e descrição de um país de selvagens" (1557), que narra a estadia deste por quase um ano em aldeias tupinambás nas regiões de Paraty e de Angra dos Reis.

Em 1597, Martim Correia de Sá, filho do governador da Capitania do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, empreendeu uma expedição para o Vale do Paraíba contra os guaianás locais. Partindo do Rio de Janeiro com 700 portugueses e 2 mil indígenas, a expedição percorreu por mar até a atual Paraty, de onde, por terra, percorreram a Trilha dos Guaianás.

Entre o final do século XVI e início do século XVII, colonos paulistas da Capitania de São Vicente se fixaram no atual território paratiense e fundaram uma povoação no morro de São Roque (atual Morro da Vila Velha), surgida em torno de uma capela em louvor a São Roque. Por volta de 1640, esse povoado foi transferido para o atual centro histórico de Paraty, em uma área entre os rios Perequê-Açu e Patatiba, doada anos antes por Maria Jácome de Melo, que, ao doar, impôs que a nova capela fosse em louvor a Nossa Senhora dos Remédios e que se protegesse os indígenas.

Em 1660, atendendo a um pedido da população do povoado, em pleno florescimento, este foi elevado à categoria de vila pelo capitão-mor da Capitania de São Vicente, Jorge Fernandes da Fonseca, em conformidade com o governador do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa de Sá e Benevides, e o rei de Portugal, Dom Afonso VI. No entanto, a Câmara de Angra dos Reis, à qual Paraty pertencia anteriormente, protestou contra. Apenas em 28 de fevereiro de 1667, por meio de Carta Régia, que foi criada a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty.

Em 2 de outubro de 1667, segundo Pedro Taques, a vila de Paraty foi instalada, com a posse da primeira Câmara Municipal.

No final do século XVII, a descoberta de jazidas de ouro em Minas Gerais trouxe grande movimento de pessoas por ali. A vila cresceu e o Caminho Velho, passando pela antiga Trilha dos Guaianás, foi ampliado. Em 1703, foi instalada a primeira “Casa de Registro do Ouro” em Paraty, garantindo a legalização e tributação do metal precioso. Também no início do século XVII, a primeira igreja matriz, em pedra e cal, foi concluída. Por volta de 1720, Paraty possuía menos de 50 casas de taipa.

Após ser alvo de anos de disputa entre São Paulo e Rio de Janeiro, o rei de Portugal decidiu que a vila pertencia a essa última em 1727.

A abertura do Caminho Novo, ligando a cidade do Rio de Janeiro a Ouro Preto, pouco impactou Paraty, pois a vila continuava receber as mercadorias destinadas a São Paulo e sul de Minas Gerais. O fim do ciclo do ouro, no final do século XVIII, trouxe decadência à vila, que passou a ter sua economia baseada na produção de cana-de-açúcar e aguardente, trazendo de volta a prosperidade ao local.

As ideais de independência do Brasil chegaram a esta vila no início do século XIX entre sua elite e a notícia da sua proclamação, em 7 de setembro de 1822, foi recebida com ânimo na vila.

No ciclo do café no Vale do Paraíba Paulista, no século XIX, Paraty foi um dos pontos de escoamento da produção desse grão.

A Lei Provincial nº 302, de 12 de março de 1844, elevou a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty à categoria de cidade, com o nome Paraty. Nessa época, as ruas que hoje formam o centro histórico eram as mesmas de hoje.

Na década de 1870, com a abertura de uma ferrovia entre o Rio de Janeiro e São Paulo, passando por Barra do Piraí e o Vale do Paraíba, a produção de café passou a ser escoada por esses trilhos, diminuindo a importância de Paraty.

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