Pedro de Montboissier (Montboissier, Auvérnia, 1092 - Cluny, 25 de Dezembro de 1156) foi teólogo e reformador francês, abade de Cluny. Embora tenha sido honrado como santo, jamais foi canonizado formalmente.
Filho de Maurício II e Raingarde de Montboissier, Pedro foi oblato em Sauxillanges, na região de Auvérnia, e depois monge em Vézelay, entre 1110 e 1120. Tornou-se prior da abadia de Domène, perto de Grenoble. Foi eleito abade de Cluny em 1122, após a deposição de Pons de Melgueil, enfrentando a crise institucional provocada pelo seu antecessor, além de dificuldades financeiras relacionadas com a construção da nova igreja, conhecida como Cluny III.
Suas reformas espirituais, intelectuais e financeiras restauraram Cluny ao seu lugar de destaque entre os estabelecimentos religiosos da Europa. Diante das mudanças do monasticismo europeu, ele convocou o primeiro capítulo geral da congregação em 1132 e promulgou estatutos de reforma em 1146-1147. Em 1130, a igreja da abadia de Cluny III, cujas proporções e magnificência superavam as da Basílica de São Pedro em Roma, foi consagrada pelo Papa Inocêncio II, que ali se refugiara.
Pedro se juntou a Bernardo de Claraval e apoiou o Papa Inocêncio II, enfraquecendo assim a posição do antipapa Anacleto II. Após os ensinamentos de Pedro Abelardo terem sido condenados no Concílio de Sens (1140), Pedro o recebeu em Cluny e o reconciliou com Bernardo e com o Papa. Enfrentou os hereges, denunciando Pedro de Bruys e seus seguidores, bem como os judeus e os muçulmanos.
Também foi embaixador papal na Aquitânia, Itália e Inglaterra. Ele escreveu hinos e poemas, além de tratados teológicos, e deixou cerca de 200 cartas.
Pedro faleceu em 25 de dezembro de 1156, de causas naturais, e foi sepultado na extremidade sul do claustro da igreja do mosteiro da Abadia de Cluny. Seu túmulo foi profanado pelos huguenotes em 1562 e destruído, junto com a maioria das relíquias, em 1792, durante a Revolução Francesa. Algumas relíquias foram redescobertas em 1931, escondidas em um estábulo.
Embora Pedro não tenha sido canonizado, foi considerado um santo para a Ordem de Cluny e, ainda no século XII, recebeu o título de Venerável, que permanece associado ao seu nome. Seu culto recebeu aprovação papal em 1862, do Papa Pio IX.
Defensor do estudo do Islã com base em suas próprias fontes, ele encomendou uma tradução abrangente de fontes islâmicas e, em 1142, viajou para a Espanha, onde se encontrou com seus tradutores. Um estudioso descreveu isso como um "evento marcante na história intelectual da Europa". Isso resultou na tradução Lex Mahumet pseudoprophete (Lei do Falso Profeta Maomé), para a qual Roberto de Ketton foi o principal tradutor. Pedro de Toledo é creditado pelo planejamento e anotação da coleção, e Pedro de Poitiers (secretário de Pedro, o Venerável) ajudou a aprimorar a versão final em latim. A equipe também incluía o amigo de Roberto de Ketton, Herman da Caríntia, e um muçulmano chamado Maomé. A tradução foi concluída em junho ou julho de 1143, no que foi descrito como "um marco nos estudos islâmicos. Com esta tradução, o Ocidente teve pela primeira vez um instrumento para o estudo sério do Islã." George Sale criticou a tradução por conter "inúmeras falhas" e "quase não ter qualquer semelhança" com o Alcorão.
Embora sua interpretação do Islã fosse basicamente negativa, ela conseguiu "estabelecer uma abordagem mais racional ao Islã... usando suas próprias fontes em vez daquelas produzidas pela imaginação hiperativa de alguns escritores cristãos ocidentais anteriores". Na sua audiência geral semanal na Praça de São Pedro, em 14 de outubro de 2009, o Papa Bento XVI usou Pedro como exemplo de compaixão e compreensão, citando o governo de Pedro em Cluny, a diplomacia e o estudo do Islã.
De miraculis libri duo O livro das maravilhas, publicado em francês por J.-P. Torrell e Denise Bouthillier, Cerf, 1992, 302 p.: As maravilhas de Deus
Lettre au reclus Gilbert, in L.-A. Lassus, Livre de vie des recluses, Beauchesne, 2003, p. 85-101.
Adversus judaeorum inveteratam duritiem, editor Y. Friedman, Turnhout, Brepols, 1985
Contra Petrobrusianos hereticos (vers 1141), editor James Fearns, Turnhout (Bélgica), Brepols, coll. "Corpus Christianorum Continuatio Mediaevalis", 1968, XVIII-179 p. Contra os seguidores de Pierre de Bruys, precursores da igreja valdense.
Liber contra sectam sive haeresim Sarracenorum , Contra os Sarracenos, editor J. Kritzek, Pedro Venerável e o Islã, Princeton University Press, 1964.
Summa totius haeresis Saracenorum
Bernardo de Claraval (1090-1153)
Roberto de Ketton (1110-1160) traduziu o Alcorão para o latim, a pedido de Pedro, o Venerável.
(em inglês) Blackwell Reference Online