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Pico da Neblina

Montanha e ponto mais alto do Brasil

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Pico da Neblina (pronúncia em português: [ˈpiku dɐ neˈblĩnɐ]) é a montanha mais alta do Brasil, com 2995,30 m de altitude. Ergue-se no noroeste do Amazonas, na Serra da Neblina, parte da Serra do Imeri, próximo à borda sul do Planalto das Guianas. O cume fica cerca de 687 m dentro do território brasileiro. O vizinho Pico 31 de Março, segundo ponto mais alto do país, com 2974,18 m, fica diretamente na fronteira entre Brasil e Venezuela. O Pico da Neblina é o ponto mais alto do Escudo das Guianas e o ponto mais alto da América do Sul a leste das cordilheiras andinas.

Comunidades Yanomami da região do Cauaburis chamam a montanha de Yaripo, geralmente traduzido como "Montanha dos Ventos". O nome também abrange a crista elevada onde ficam o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março. Yaripo é sagrado na crença Yanomami. Locais ao longo da rota até o cume figuram em histórias ancestrais e em rituais ligados aos espíritos e ao mundo natural. O cume fica dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina e da Terra Indígena Yanomami. O parque nacional brasileiro foi criado em 1979.

A montanha sobe de forma abrupta acima das terras baixas da bacia do alto Rio Negro. Rochas resistentes e ricas em quartzo formam boa parte de sua porção superior, onde cristas estreitas e escarpas se elevam acima de áreas com mais de 2000 m de altitude. A temperatura cai rapidamente com a altitude, e a chuva, as nuvens e a neblina mantêm as encostas superiores molhadas por longos períodos. A floresta amazônica das áreas mais baixas passa a floresta montana e, mais acima, a arbustos baixos, ervas, rocha exposta e terrenos encharcados. Algumas espécies do maciço superior não ocorrem em nenhum outro lugar, ou aparecem em poucas outras áreas do Planalto das Guianas. Entre elas estão os sapos Neblinaphryne mayeri e Caligophryne doylei. Seus parentes vivos mais próximos divergiram dessas linhagens há mais de 45 milhões de anos.

Naturalistas já haviam avistado as montanhas a partir do Rio Negro no século XIX, mas as expedições começaram a entrar nas partes altas do maciço na década de 1950. O topógrafo brasileiro José Ambrósio de Miranda Pombo fez a primeira ascensão conhecida ao Pico da Neblina em 1965, enquanto trabalhava na fronteira entre Brasil e Venezuela. O turismo de subida cresceu nas últimas décadas do século XX, mas foi interrompido em 2003 após conflitos sobre a entrada em território Yanomami e danos dentro do parque nacional. As visitas foram retomadas em 2022 pelo projeto de ecoturismo Yaripo, administrado pelos Yanomami. O garimpo ilegal de ouro, a caça e a entrada não autorizada ainda afetam as áreas protegidas ao redor da montanha, enquanto espécies restritas às maiores altitudes enfrentam riscos ligados ao aquecimento e a doenças de anfíbios.

Comunidades Yanomami da região do Cauaburis chamam a montanha de Yaripo, geralmente traduzido como "Montanha dos Ventos". Serra Yaripo também dá nome à crista elevada onde ficam o Pico da Neblina e o vizinho Pico 31 de Março. Este último tem seu próprio nome Yanomami, Kurarana. Na fala Yanomami, Pico da Neblina é um nome napëpë, trazido por brancos e outros não Yanomami.

Viajantes do século XIX usaram outros nomes para as montanhas da região. Alfred Russel Wallace escreveu em 1853 que podia ver as "serras of the Cababurís" enquanto viajava perto de Marabitanas, no Rio Negro. Richard Spruce também avistou da mesma região uma cadeia distante com escarpas íngremes. Os nomes antigos não se encaixam com facilidade nos mapas atuais. O botânico John F. Pruski interpretou as montanhas de Wallace como provavelmente correspondentes ao que hoje se chama Serra da Neblina, embora Wallace as tenha desenhado longe demais para oeste. Pirabuku e Imei também foram usados para montanhas próximas à fronteira, sem correspondência firme com os nomes adotados depois.

Serra do Caburi foi outro nome antigo usado no lado brasileiro para montanhas ao norte do Rio Negro. O botânico brasileiro Ricardo de Lemos Fróis acreditava que o Cerro de la Neblina, divulgado na década de 1950, fosse um dos picos dessa serra. Ele havia visto as montanhas do ar em 1952 e escreveu que moradores da região do Rio Negro já conheciam a Serra do Caburi e contavam histórias indígenas sobre ela. O nome não se tornou a denominação habitual do maciço.

Na Venezuela, Cerro Jimé era usado quando a expedição Phelps viajou às montanhas em 1954. Kathleen Deery de Phelps manteve o nome no título de suas memórias, Memorias de Misia Kathy: Primera Expedición Phelps al "Cerro Jimé", actual Cerro de La Neblina.

Em 1955, Bassett Maguire e Charles D. Reynolds já usavam Cerro de la Neblina em publicação. Neblina significa névoa ou neblina. Na Venezuela, Cerro de la Neblina e Serranía La Neblina são usados para o maciço. No Brasil, Pico da Neblina designa o cume mais alto, enquanto Serra da Neblina designa as montanhas ao redor. Pico da Neblina já era o nome federal quando o parque nacional foi criado em 1979.

Pico Phelps não foi usado de maneira consistente. Uma planta coletada no lado brasileiro em dezembro de 1965 teve como localidade Pico Phelps, entre 2600 e 2700 m de altitude. Trabalhos científicos da década de 1980 às vezes juntavam Pico Phelps e Pico da Neblina, e espécimes de uma expedição de 1984–1985 receberam a indicação "Pico Phelps (= Pico Neblina)".

O serviço venezuelano de parques usa Pico Phelps para o cume mais alto do lado venezuelano do maciço. Mapas brasileiros chamam o cume vizinho, sobre a fronteira internacional, de Pico 31 de Março, com altitude oficial de 2974,18 m. O nome Pico Phelps mudou entre pontos altos próximos e não se refere de forma consistente a um único cume.

Localização e áreas protegidas

O Pico da Neblina ergue-se na Serra do Imeri, no noroeste do Amazonas, próximo à fronteira com a Venezuela. O cume fica no município de Santa Isabel do Rio Negro. O Parque Nacional do Pico da Neblina se estende para leste até São Gabriel da Cachoeira. De sua área, 70,79% fica em Santa Isabel do Rio Negro e 29,21% em São Gabriel da Cachoeira.

O cume fica dentro do parque nacional e da Terra Indígena Yanomami. O parque também se sobrepõe às terras indígenas Balaio, Médio Rio Negro II e Cué-Cué Marabitanas. Terras indígenas cobrem quase 72% do parque. Só a Terra Indígena Yanomami cobre pouco mais da metade.

O Parque Nacional do Pico da Neblina foi criado em 5 de junho de 1979 ao longo da fronteira venezuelana. Do outro lado da fronteira, o maciço entra no Parque Nacional Serranía La Neblina, criado na Venezuela em 1978. O Brasil acrescentou o Parque Nacional do Pico da Neblina à sua Lista Indicativa de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1996, pelos critérios naturais vii, ix e x.

Fronteira internacional e cumes próximos

O maciço da Neblina atravessa a fronteira entre Brasil e Venezuela, mas seu cume mais alto não. O Pico da Neblina fica cerca de 687 m dentro do Brasil.

O Pico 31 de Março ergue-se a menos de um quilômetro de distância, diretamente sobre a fronteira internacional. Com 2974,18 m, é o segundo cume mais alto do Brasil e fica 21,12 m abaixo do Pico da Neblina. Os dois cumes se elevam a partir da parte mais alta da Serra do Imeri.

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