Pierre Maurice Marie Duhem (Paris, 10 de junho de 1861 — Cabrespine, 14 de setembro de 1916) foi um físico francês e um historiador da ciência. Entre as suas teses principais figura aquela que defende não uma ruptura ou oposição entre a Idade Média e o Renascimento mas uma continuidade.
Pierre Duhem nasceu em Paris, no dia 10 de Junho de 1861. Ele era filho de Pierre-Joseph Duhem, de origem flamenga, e de Marie Alexandrine née Fabre, cuja família era de Languedoc. Pierre-Joseph trabalhou como representante de vendas em uma indústria têxtil. Sua família morava em um bairro modesto na Rue des Jeûneurs, ao sul de Montmartre. Sua família era católica devota, e a sua perspectiva conservadora foi influenciada por ter vivido durante a Comuna de Paris em 1871, que Duhem via como uma manifestação da anarquia, rejeitada pela religião.
O jovem Pierre completou seus estudos secundários no Collège Stanislas, onde seu interesse nas ciências físicas foi encorajado pelo seu professor Jules Moutier, que era um físico teórico e autor de influentes livros didáticos de termodinâmica. Pierre foi admitido como primeiro colocado em sua turma na prestigiosa École normale supérieure (ENS) em 1882. Na ENS, ele completou sua licenciatura em matemática e física em 1884. Ele então conseguiu sua agregação em ciências físicas em 1885.
Duhem preparou uma tese de doutorado a respeito do uso da termodinâmica potencial na teoria de células eletroquímicas. Em sua tese, Duhem ataca explicitamente o "princípio do trabalho máximo", elaborado por Marcellin Berthelot. O júri rejeitou essa tese e a carreira acadêmica de Duhem parece ter sido afetada para sempre após suas divergências com Berthelot. Além de suas discordâncias científicas, Duhem foi um católico conservador e monarquista, enquanto o politicamente poderoso Berthelot era um anticlerical republicano. Em 1888, Duhem finalmente recebeu seu doutorado com uma nova tese a respeito da dinâmica de magnetização.
Apesar de suas contribuições como físico teórico, e posteriormente como historiador e filósofo da ciência, Duhem nunca conquistou a posição acadêmica em Paris que ele procurava. Ele primeiro trabalhou na Universidade de Lille (1887 – 1893), depois brevemente na Universidade de Rennes (1893 – 1894), e finalmente como professor de física teórica na Universidade de Bordeaux, onde se manteve pelo resto de sua carreira.
Entre os cientistas, Duhem é mais conhecido atualmente por seu trabalho em termodinâmica química e, em particular, pelas equações de Gibbs-Duhem e Duhem-Margules. Sua abordagem foi fortemente influenciada pelos trabalhos iniciais de Josiah Willard Gibbs, que Duhem promoveu de forma eficaz entre os cientistas franceses. Na mecânica dos meios contínuos, ele também é lembrado por sua contribuição para o que hoje é chamado de desigualdade de Clausius-Duhem .
Duhem era um defensor da energética e estava convencido de que todos os fenômenos físicos, incluindo mecânica, eletromagnetismo e química, poderiam ser derivados dos princípios da termodinâmica. Influenciado pelos Outlines of the Science of Energetics ("Esboços da Ciência da Energética"), de William Rankine, Duhem levou a cabo esse projeto intelectual em seu Traité de l'Énergétique ("Tratado da Energética", 1911), mas acabou não conseguindo reduzir os fenômenos eletromagnéticos aos princípios termodinâmicos.
Duhem compartilhava do ceticismo de Ernst Mach sobre a realidade física e a utilidade do conceito de átomos. Portanto, ele não seguiu a mecânica estatística de James Clerk Maxwell, Ludwig Boltzmann e Gibbs, que explicaram as leis da termodinâmica em termos das propriedades estatísticas de sistemas mecânicos compostos por muitos átomos.
Duhem também foi opositor da teoria da relatividade de Albert Einstein. Em 1914, comentou que a teoria de Einstein "transformou a física num verdadeiro caos, onde a lógica se perde e o bom senso foge assustado". Em seu livro de 1915, La Science Allemande ("A Ciência Alemã"), ele argumentou contundentemente contra a relatividade. Afirmou que a teoria da relatividade "derruba todas as doutrinas em que se falava de espaço, de tempo, de movimento; todas as teorias da mecânica e da física".
Les théories électriques de J. Clerk Maxwell, Paris : Hermann, 1900
Die Wandlungen der Mechanik und der mechanischen Naturerklärung, Leipzig: J. A. Barth, 1912, übers. durch P. Frank v. L'évolution de la mécanique, Paris, A. 1903 (französisch L´évolution de la mécanique, Paris 1902)
Les origines de la statique, 2 volumes, Paris, 1905, 1906
Études sur Leonard de Vinci, ceux qu´il a lus et ceux qui l´ont lu, 3 volumes, Paris, 1906 a 1913
Ziel und Struktur der physikalischen Theorien. Lothar Schäfer (editor). Meiner : Hamburgo. 1998. ISBN 978-3-7873-1457-7
Le système du monde, histoire des doctrines cosmologiques de Platon à Copernic. 10 volums, Paris : Hermann, 1913 a 1959
Literatura de e sobre Pierre Duhem (em alemão) no catálogo da Biblioteca Nacional da Alemanha
O'Connor, John J.; Robertson, Edmund F., «Pierre Duhem», MacTutor History of Mathematics archive (em inglês), Universidade de St. Andrews