Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) é a maior aglomeração urbana do Brasil e da América do Sul, reunindo 39 municípios do estado de São Paulo e mais de 20,7 milhões de habitantes segundo o Censo demográfico do Brasil de 2022. Estruturada oficialmente em 1973, a RMSP destaca-se como centro econômico, político, cultural e científico do país, concentrando parte significativa do Produto Interno Bruto nacional e estadual, além de abrigar uma das maiores diversidades étnicas, culturais e sociais do hemisfério sul. Configura-se como uma das dez áreas mais populosas do mundo.
Outros centros urbanos próximos a São Paulo são também regiões metropolitanas do estado, como Campinas, Baixada Santista, Vale do Paraíba, Sorocaba e Jundiaí. O chamado Complexo Metropolitano Expandido, megalópole da qual a Grande São Paulo faz parte, ultrapassa os 32,2 milhões de habitantes, aproximadamente 75% da população do estado. As regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo são interligadas pela Região Metropolitana de Jundiaí, e formam a primeira macrometrópole do hemisfério sul, unindo 72 municípios que, juntos, abrigam 12% da população brasileira.
História da Região Metropolitana de São Paulo é marcada por uma trajetória de profundas transformações territoriais, sociais e econômicas, que remontam ao período pré-colonial e se estendem até a contemporaneidade. O território atualmente ocupado pela Região Metropolitana de São Paulo era originalmente habitado por povos indígenas, com destaque para os Tupiniquim e os Guaianá, que ocupavam os campos de Piratininga e as margens dos rios Tietê e Tamanduateí. Esses grupos mantinham uma economia baseada na agricultura de coivara, caça, pesca e coleta, além de uma complexa rede de trilhas que conectava o planalto ao litoral e ao interior.
A fundação da vila de São Paulo de Piratininga ocorreu em 25 de janeiro de 1554, quando os padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta ergueram um colégio e uma capela sobre a colina entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, com o objetivo de catequizar os indígenas e consolidar a presença portuguesa no interior. O núcleo inicial era cercado por uma paliçada defensiva, refletindo o clima de tensão e a necessidade de proteção diante das hostilidades locais. Durante o período colonial, São Paulo permaneceu relativamente isolada dos grandes centros econômicos, com economia baseada na agricultura de subsistência, criação de gado e, sobretudo, nas expedições dos bandeirantes, que partiram do planalto em busca de indígenas para escravização e de riquezas minerais, ampliando as fronteiras da colonização portuguesa.
No século XVIII, a cidade experimentou um período de estagnação, devido ao deslocamento do eixo econômico para as regiões mineradoras de Minas Gerais. Ainda assim, São Paulo consolidou-se como entroncamento de rotas, conectando o interior ao litoral, especialmente pelo porto de Santos, que se tornaria fundamental para o escoamento da produção agrícola.
O século XIX marcou uma reviravolta com o ciclo do café, que transformou a economia regional e nacional. A expansão das plantações de café no interior paulista, a partir da década de 1830, impulsionou a construção de ferrovias, como a São Paulo Railway (Estrada de Ferro Santos-Jundiaí), inaugurada em 1867, conectando o interior ao porto de Santos e facilitando o escoamento da produção. O capital acumulado com o café financiou a urbanização e a industrialização incipiente da cidade, que passou a atrair grandes ondas de imigrantes, sobretudo italianos, japoneses, árabes e alemães, a partir da década de 1880, após a abolição da escravatura.
O crescimento populacional foi notável: entre 1872 e 1920, a população da cidade saltou de pouco mais de trinta mil para quase seiscentos mil habitantes, refletindo o intenso fluxo migratório e a expansão urbana. A cidade expandiu-se ao longo das linhas ferroviárias e das antigas estradas, com bairros residenciais e operários surgindo em áreas antes rurais, enquanto a especulação imobiliária e a valorização dos terrenos deslocavam trabalhadores para regiões mais distantes.
O início do século XX foi marcado por importantes movimentos culturais e políticos, como a Semana de Arte Moderna de 1922, que consolidou São Paulo como centro de inovação artística e intelectual. Paralelamente, a industrialização se intensificou, especialmente entre as décadas de 1930 e 1960, consolidando a cidade como o principal polo industrial do país. O ABC Paulista — formado por Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul — tornou-se o epicentro da indústria automobilística e metalúrgica, atraindo migrantes de todo o Brasil, especialmente do interior paulista e do Nordeste. Esse processo desencadeou uma explosão demográfica e a expansão da mancha urbana, com a formação de favelas e a urbanização periférica. Entre 1940 e 1970, a população da cidade de São Paulo saltou de 1,3 milhão para quase seis milhões de habitantes, enquanto a região metropolitana crescia ainda mais rapidamente, impulsionada pela migração rural-urbana e pela descentralização industrial.
A institucionalização da Região Metropolitana de São Paulo ocorreu em 1973, com a promulgação da Lei Complementar Federal nº 14, que estabeleceu a RMSP como entidade formal, inicialmente composta por trinta e sete municípios. O objetivo era promover o planejamento integrado e a gestão coordenada de serviços e infraestrutura diante do crescimento acelerado e dos desafios metropolitanos, como transporte, habitação e meio ambiente. A criação da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (EMPLASA) foi fundamental para o desenvolvimento de planos metropolitanos, como o Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado (PMDI), que propôs a descentralização do emprego e a criação de sistemas viários radiais e anéis perimetrais.
A partir da década de 1980, a RMSP passou por um processo de reestruturação econômica, com a predominância do setor de serviços e a integração com áreas urbanas vizinhas, como Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos, formando uma macrometrópole. O crescimento populacional desacelerou, mas a expansão urbana continuou intensa: em 2002, a área urbanizada da RMSP atingiu 2.208,90 km², um aumento de mais de 150% em relação a 1962, com a conurbação se estendendo por dezoito municípios em um contínuo urbano de oitenta quilômetros de extensão.
A governança metropolitana evoluiu com a criação do Conselho de Desenvolvimento da RMSP e a reorganização territorial promovida pela Lei Complementar Estadual nº 1.139/2011, que agrupou os trinta e nove municípios em cinco sub-regiões para aprimorar o planejamento e a gestão integrada.
Nas décadas recentes, a Região Metropolitana de São Paulo consolidou-se como o principal centro financeiro, comercial, cultural e de serviços do Brasil, respondendo por mais de cinquenta por cento do PIB estadual e cerca de dezoito por cento do PIB nacional. O processo de urbanização, no entanto, trouxe desafios como a desigualdade socioespacial, a degradação ambiental, a mobilidade urbana e a necessidade de políticas públicas integradas para garantir a sustentabilidade e a qualidade de vida na metrópole.
Abrange um conjunto de características físicas, ambientais e dinâmicas urbanas que conferem à Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) uma complexidade singular no contexto brasileiro e internacional. A RMSP ocupa uma área de 7 946 quilômetros quadrados, correspondendo a menos de um milésimo da superfície brasileira e pouco mais de 3% do território paulista. Tem aproximadamente as mesmas dimensões de algumas nações, como Líbano (10 452 km²) e Jamaica (10 991 km²), e superiores às de países como Luxemburgo (2 586 km²).
Essa extensão territorial abriga 39 municípios, agrupados oficialmente em cinco sub-regiões, e constitui uma das áreas metropolitanas mais densamente povoadas e diversificadas do país. O relevo da RMSP é dominado pelo Planalto Paulistano, uma superfície elevada com altitudes médias entre 700 e 900 metros, recortada por vales fluviais e espigões interfluviais. Destaca-se o Espigão da Paulista, divisor de águas entre as bacias do Rio Tietê e do Rio Pinheiros, que estrutura parte do traçado urbano central e abriga importantes vias e edifícios emblemáticos. Ao norte, a Serra da Cantareira se impõe como um dos maiores maciços florestais urbanos do mundo, com altitudes superiores a 1.000 metros, desempenhando papel fundamental na proteção de mananciais e na regulação climática regional. O ponto culminante da RMSP é o Pico do Jaraguá, com 1.135 metros de altitude, localizado na zona oeste do município de São Paulo, sendo um marco paisagístico e geográfico da metrópole. Ao sul e sudeste, a Serra do Mar delimita o planalto e constitui uma barreira natural entre o interior e o litoral, marcada por escarpas abruptas e áreas de proteção ambiental.