Roger Bastide (Nîmes, 1 de abril de 1898 – Maisons-Laffitte, 10 de abril de 1974) foi um sociólogo francês.
Em 1938 veio, com outros professores europeus, à recém-criada Universidade de São Paulo para ocupar a cátedra de sociologia. No Brasil, estudou durante muitos anos as religiões afro-brasileiras, tornando-se um iniciado no candomblé da Bahia. Apesar de ser membro da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, o sociólogo iniciou-se no Candomblé como filho de Xangô.
Uma de suas obras mais importantes é O Candomblé da Bahia, reeditada em 2001 pela editora Companhia das Letras. Outra obra que merece destaque é As Américas negras: as civilizações africanas no Novo Mundo, editada pela EDUSP em 1974.
Roger Bastide "licenciou-se em filosofia em Grenoble, em 1917; preparou em 1919 o concurso para a Escola Normal Superior, sendo admitido no Centro de Estudos Superiores de Strasburgo. Em 1920, apresentou-se ao Diploma de Estudos Superiores de Filosofia na Universidade de Bordéus, onde permaneceu durante três anos, preparando a agrégation de filosofia, que obteve em Paris, em 1924. Já em 1923 fora admitido como professor no Liceu de Clamecy, passando ao de Cahors (1924-1926), depois ao de Lorient (1926-1928), e de Valence (1928-1937). Nomeado para o Liceu de Versalhes, em 1938, logo em seguida partia para o Brasil" para a missão francesa na USP.
Antes de fixar-se no Brasil, escreveu Problèmes de la vie mystique (1931) e Éléments de sociologie (1936).
Como membro da "missão francesa" contratada para núcleo do corpo docente da Faculdade de Filosofia de São Paulo, lecionou quase vinte anos no Brasil (1937-1954), Em 1951, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de São Paulo. Foi membro das sociedades de sociologia e psicologia de São Paulo, de antropologia no Rio de Janeiro, de folclore no Rio Grande do Norte, e do Instituto Histórico do Ceará.
Defendeu em 1957 sua tese de doutorado na Universidade de Sorbonne.
Em 1973, Bastide reeditou "Brasil, terra de contrastes". Em seguida, aposentado, trabalhou no Centro de Psiquiatria Social em Paris, fundado por ele. O seu último livro, "Sociologia da desordem mental", utilizou resultados de pesquisas deste Centro.
Pelos serviços prestados à cultura brasileira e à cooperação cultural Brasil-França, foi agraciado com a Ordem do Cruzeiro do Sul.
« Problèmes de la vie mystique » (Problemas da vida mística), 1931
« Éléments de sociologie religieuse » (Elementos de sociologia religiosa), 1935
« Le rire et les courts-circuits de la pensée » (O riso e os curtos-circuitos do pensamento), em Jean Pouillon e Pierre Maranda (dir.). Trocas e comunicações: misturas ofertas a Claude Lévi-Strauss por ocasião de seus 60 anos de idade, p. 953-963, La Haye ; Paris, Mouton, 1970.
As Américas negras: as civilizações africanas no Novo Mundo (trad. de Les Amériques noires: les civilisations africaines dans le Nouveau Monde’’), EDUSP, 1974.
Les Amériques noires, 1967, (As Américas negras), prefácio de Jean Benoist, Éditions L'Harmattan, 1996.
Anthropologie appliquée(Antropologia aplicada), 1971, Éditions Stock, 1998.
Art et société (Arte e sociedade), 1945, prefácio de Jean Duvignaud e Maria Isaura Pereira de Queiroz, Éditions L'Harmattan, 1997.
Brésil, terre des contrastes (Brasil, terra dos contrastes), 1957, Éditions L'Harmattan.
O Candomblé da Bahia (tradução: Le Candombé da Bahia), Companhia das Letras, reeditado em 2001.