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São Pedro do Sul (Rio Grande do Sul)

Município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul

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São Pedro do Sul é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul.

As primeiras populações a deixar vestígios na região pertenciam à chamada Tradição Umbu, formada por grupos de caçadores-coletores que ocuparam o sul do continente desde os primórdios de seu povoamento. Esses povos são reconhecidos principalmente pela produção de sofisticados instrumentos de pedra lascada, utilizados na caça, no processamento de alimentos e em outras atividades cotidianas.

Ao longo dos milênios, a ocupação humana tornou-se mais diversificada, sendo também identificada na arqueologia regional a presença da Tradição Toropi, representando outro importante horizonte cultural pré-colonial.

Séculos depois, o território passou a ser amplamente ocupado por populações Guaranis, coexistindo também com grupos indígenas Pampeanos. Os Guaranis transformaram profundamente a relação entre o homem e a paisagem ao introduzirem a agricultura, baseada no cultivo de milho, mandioca e tabaco, além de desenvolverem uma refinada produção cerâmica, tanto utilitária quanto cerimonial, ornamentada por elaborados motivos decorativos. Suas aldeias foram estabelecidas preferencialmente em serranias, áreas férteis, próximas aos cursos d'água, consolidando uma forma de ocupação permanente que se sobrepôs aos antigos territórios percorridos pelos caçadores-coletores.

No interior do município de São Pedro do Sul, o mais notável testemunho desse longo processo de ocupação humana encontra-se no Abrigo da Pedra Grande, classificado arqueologicamente como Sítio RS-SM-07. Formado por um imponente afloramento de arenito da Formação Botucatu, o abrigo constitui um dos mais importantes sítios arqueológicos do Rio Grande do Sul, reunindo excepcional valor científico, histórico e cultural.

A Pedra Grande destaca-se por ser um sítio arqueológico multicomponencial, preservando evidências de diferentes períodos de ocupação humana em um mesmo espaço. Em sua face nordeste localiza-se o maior painel de arte rupestre conhecido no estado, com aproximadamente 24 metros de extensão. As gravuras, executadas diretamente sobre a rocha, pertencem ao denominado estilo "Pisadas", caracterizado por representações estilizadas de pegadas de aves. As pesquisas arqueológicas indicam que esses petróglifos foram produzidos por grupos de caçadores-coletores que utilizaram o abrigo há cerca de 3.000 anos, voltando a ocupá-lo novamente por volta de 800 anos antes do presente.

Cerca de 650 anos atrás, os Guaranis estabeleceram uma aldeia nas proximidades da Pedra Grande. Embora não tenham produzido as gravuras rupestres, transformaram o abrigo em um importante espaço de convivência e referência para a comunidade. Os numerosos fragmentos de cerâmica encontrados nas escavações, incluindo panelas, vasos e urnas, testemunham o cotidiano dessas famílias, revelando práticas domésticas, preparo de alimentos, atividades cerimoniais e a intensa ocupação desse lugar singular, onde a história geológica e a trajetória humana se encontram preservadas em um mesmo cenário.

Os primeiros europeus a alcançar o atual território do município de São Pedro do Sul foram, muito provavelmente, missionários da Companhia de Jesus, que percorreram a região no final da década de 1620 durante as expedições de reconhecimento e evangelização dos povos indígenas no Tape.

O local visitado pelos jesuítas era conhecido pelos Guaranis como Ytaquatiá, expressão que significa "pedra riscada" ou "pedra gravada", provavelmente em referência à atual Pedra Grande. Na época, a região abrigava uma expressiva população indígena já estabelecida. Embora os próprios habitantes tenham solicitado a fundação de uma redução, o pedido não foi atendido de imediato. A assistência religiosa e administrativa permaneceu sob responsabilidade dos padres da redução de São Tomé, situada a seis léguas a oeste, distância equivalente a menos de um dia de viagem, no atual município de Mata.

Somente em 1633 foi fundada no local a redução de São José, colocada sob a direção do padre José Cataldino. A nova missão integrou o sistema reducional organizado pela Companhia de Jesus e passou a reunir a população indígena da região em torno da catequese, da agricultura e das atividades comunitárias.

Entretanto, a estabilidade da redução foi breve. Por volta de 1639, em consequência dos constantes ataques promovidos pelos bandeirantes paulistas, seus habitantes abandonaram o povoado e refugiaram-se na margem ocidental do rio Uruguai, juntamente com outras populações missioneiras, encerrando a primeira experiência reducional no território.

Com o início da Segunda Fase das Missões Jesuíticas, caracterizada pelo retorno dos missioneiros ao atual território do Rio Grande do Sul, a região voltou a desempenhar importante papel na organização econômica das reduções. Em certo momento, o território de São Pedro do Sul passou a integrar a vasta Estância de São Miguel, complexo pecuário pertencente à Redução de São Miguel Arcanjo, destinado principalmente à criação de grandes rebanhos bovinos.

Foi nesse contexto que, na década de 1750, o padre Miguel de Soto passou a invernar gado na região, originando a Estância de São Pedro. Além desse estabelecimento principal, existiam diversos postos e passos estrategicamente distribuídos pelo território, ocupados por indígenas guaranis encarregados da administração dos rebanhos, atividade que constituía a principal base econômica das Missões naquele período.

Após a expulsão da Companhia de Jesus dos domínios espanhóis, em 1768, as estâncias, os postos e os demais estabelecimentos missioneiros permaneceram sob a administração dos próprios guaranis, que continuaram conduzindo as atividades pecuárias e preservando parte da organização econômica implantada pelos jesuítas.

Com a consolidação do domínio português sobre a região missioneira após a conquista de 1801, as antigas terras pertencentes às Missões passaram a ser incorporadas ao patrimônio da Coroa Portuguesa. Nesse contexto, a antiga Estância de São Pedro foi requerida, em 1802, pelos irmãos Manuel dos Santos Pedroso e Antônio dos Santos Pedroso, que alegavam já utilizar a área para a invernada de seus rebanhos, uma vez que as terras se encontravam devolutas.

Apesar de obterem a concessão, os irmãos Pedroso jamais estabeleceram residência permanente na estância. Em 1815, Manuel dos Santos Pedroso vendeu sua parte da propriedade à família Cezar, enquanto Antônio dos Santos Pedroso vendeu a sua à família Flores. A partir desse momento, a antiga Estância de São Pedro foi gradualmente sendo fracionada entre diversos proprietários rurais, favorecendo o surgimento de novos estabelecimentos e a chegada de outras famílias à região.

O crescimento populacional também foi impulsionado pela posição estratégica do território, atravessado por importantes caminhos que ligavam diferentes pontos da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Essas rotas favoreceram o comércio, a circulação de pessoas e a consolidação de novos núcleos de povoamento.

A organização administrativa da localidade teve início com a criação do 3º Distrito de Paz da Vila de Santa Maria, instituído por decreto do Governo Provincial em 18 de junho de 1861. Seus limites eram bastante semelhantes aos do atual município de São Pedro do Sul, tendo como primeiro Juiz de Paz José Luiz de Medeiros.

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São Pedro do Sul (Rio Grande do Sul) | World in Stories