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Sidney Poitier

Ator, diretor e diplomata bahamense-estadunidense

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Sir Sidney Poitier KBE (Miami, 20 de fevereiro de 1927 — Beverly Hills, 6 de janeiro de 2022) foi um ator, diretor, autor, ativista e diplomata bahamense estadunidense.

Poitier cresceu em Cat Island, nas Bahamas. Em 1964, foi agraciado tanto com o Oscar quanto com o Globo de Ouro de melhor ator pelo seu desempenho em Lilies of the Field. Em 1967, viveu o engenheiro e professor Mark Thackeray em To Sir With Love, um dos papéis mais marcantes de sua carreira. Em 1972, iniciou a carreira de diretor em Buck and the Preacher. Em 1982, recebeu o Prémio Cecil B. DeMille. Em 2002, recebeu um Oscar Honorário em reconhecimento às suas realizações como artista e como ser humano. É pai da também atriz Sydney Tamiia Poitier.

Seu visual serviu de inspiração para o personagem John Stewart da DC Comics.

Poitier morreu em 6 de janeiro de 2022, aos 94 anos de idade, em Beverly Hills.

Ao longo de uma carreira que atravessou teatro, cinema, televisão, direção e serviço público, Poitier tornou-se uma figura central na transformação da representação de pessoas negras no cinema comercial dos Estados Unidos. Em The Defiant Ones (1958), tornou-se o primeiro ator afro-americano indicado ao Oscar de melhor ator, e em Lilies of the Field (1963) tornou-se, na cerimônia de 1964, o primeiro afro-americano a vencer a categoria. Em 1967, estrelou três grandes sucessos lançados no mesmo ano To Sir, with Love, In the Heat of the Night e Guess Who's Coming to Dinner, um período frequentemente apontado por historiadores e instituições cinematográficas como o auge de sua influência comercial e cultural.

Além do trabalho artístico, Poitier participou do movimento dos direitos civis, esteve na Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade de 1963 e, com Harry Belafonte, apoiou financeiramente e logisticamente ativistas no Mississippi. Mais tarde, representou as Bahamas diplomaticamente, inclusive como embaixador no Japão e junto à UNESCO.

Sidney Poitier nasceu em 20 de fevereiro de 1927, em Miami, Flórida. Ele era o caçula de sete filhos nascidos de Evelyn (nascida Outten) e Reginald James Poitier, fazendeiros das Bahamas que possuíam uma fazenda em Cat Island. A família viajava para Miami a fim de vender tomates e outros produtos. Seu pai também trabalhou como motorista de táxi em Nassau. Poitier nasceu inesperadamente em Miami enquanto seus pais estavam de visita. Seu nascimento foi prematuro de três meses e não se esperava que ele sobrevivesse, mas seus pais permaneceram em Miami por três meses para cuidar dele. Poitier cresceu nas Bahamas, então uma colônia da Coroa Britânica. Devido ao seu nascimento (não planejado) nos Estados Unidos, ele teve automaticamente direito à cidadania americana.

Alguns acreditam que os ancestrais Poitier haviam migrado do Haiti, e provavelmente estavam entre os escravos fugitivos que estabeleceram comunidades quilombolas em todas as Bahamas, incluindo Cat Island. Poitier era originalmente um nome francês, e que então não havia Poitiers brancos nas Bahamas. No entanto, havia um Poitier branco em Cat Island - o nome veio do fazendeiro Charles Leonard Poitier, que imigrara da Jamaica no início de 1800. Em 1834, a propriedade de sua esposa em Cat Island tinha 86 escravos negros que mantinham o nome Poitier, um nome que havia sido introduzido na Anglosfera desde a conquista normanda no século XI.

Poitier viveu com sua família em Cat Island até os dez anos, quando se mudaram para Nassau. Lá ele foi exposto ao mundo moderno, onde viu seu primeiro automóvel e experimentou eletricidade, encanamento, refrigeração e filmes. Ele foi criado como católico, mas depois se tornou agnóstico com visões mais próximas do deísmo.

Aos quinze anos, foi enviado para Miami para morar com a grande família de seu irmão. Aos dezesseis anos, ele se mudou para Nova Iorque, procurando se tornar um ator, mantendo uma série de empregos como lavador de pratos nesse meio tempo. Depois de falhar em sua primeira audição com o American Negro Theatre devido à sua incapacidade de ler o roteiro, um garçom judeu idoso sentou-se com ele todas as noites por várias semanas, ajudando-o a aprender a ler usando o jornal. Durante a Segunda Guerra Mundial, em novembro de 1943, ele mentiu sobre sua idade e se alistou no Exército. Ele foi designado para um hospital da Administração de Veteranos em Northport, Nova Iorque, e foi treinado para trabalhar com pacientes psiquiátricos. Poitier ficou chateado com a forma como o hospital tratou seus pacientes e fingiu doença mental para obter alta. Poitier confessou a um psiquiatra que estava fingindo sua condição, mas o médico foi solidário e concedeu sua dispensa sob a Seção VIII do regulamento do Exército 615-360 em dezembro de 1944.

Depois de deixar o Exército, ele trabalhou como lavador de pratos até que uma audição bem-sucedida lhe rendeu um papel em uma produção do American Negro Theatre, a mesma empresa na qual ele falhou em sua primeira audição.

Teatro e primeiros filmes (1946–1957)

Após retornar à vida civil, Poitier voltou ao American Negro Theatre (ANT). Sua formação foi marcada por dificuldades iniciais com leitura, dicção e sotaque; para ampliar as oportunidades de trabalho, dedicou-se a modificar sua pronúncia e a desenvolver técnica de interpretação. Em 1946, apareceu na Broadway em Lysistrata, produção que teve apenas quatro apresentações, e no ano seguinte integrou o elenco de Anna Lucasta.

Sua estreia de destaque no cinema ocorreu em No Way Out (1950), dirigido por Joseph L. Mankiewicz, no qual interpretou o médico Luther Brooks. O papel estabeleceu uma característica recorrente de sua imagem pública nas décadas seguintes: personagens negros de competência profissional, autocontrole e autoridade moral em narrativas diretamente atravessadas por conflito racial. Nos anos seguintes atuou, entre outros, em Cry, the Beloved Country (1951), Blackboard Jungle (1955) e Edge of the City (1957), consolidando-se como um dos poucos protagonistas negros com presença regular em produções de grande circulação no período.

No teatro, retornou à Broadway em 1959 como Walter Lee Younger na produção original de A Raisin in the Sun, de Lorraine Hansberry, papel pelo qual recebeu indicação ao Tony Award de melhor ator em peça em 1960. Repetiria o personagem na adaptação cinematográfica lançada em 1961.

Reconhecimento internacional e Oscar (1958–1966)

Em The Defiant Ones (1958), Poitier e Tony Curtis interpretaram dois prisioneiros fugitivos acorrentados um ao outro. O desempenho rendeu a Poitier o Urso de Prata de melhor ator no Festival Internacional de Cinema de Berlim, o BAFTA de melhor ator estrangeiro e uma indicação ao Oscar de melhor ator — a primeira de um ator afro-americano nessa categoria. A obra também fortaleceu sua associação com dramas liberais sobre relações raciais, nos quais seu personagem frequentemente funcionava como teste moral para personagens e públicos brancos.

Poitier continuou em papéis de destaque em Porgy and Bess (1959), A Raisin in the Sun (1961), Paris Blues (1961) e Pressure Point (1962). Em Lilies of the Field, dirigido por Ralph Nelson, interpretou Homer Smith, um trabalhador itinerante que ajuda um grupo de freiras a construir uma capela. Pelo papel, recebeu o Urso de Prata de melhor ator em Berlim, o Globo de Ouro de melhor ator em filme dramático e, em 13 de abril de 1964, o Oscar de melhor ator. A Academia registra a vitória como a primeira de um afro-americano na categoria de melhor ator.

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