O Sismo de Kobe de 1995 ou Grande Sismo de Hanshin-Awaji (阪神・淡路大震災, Hanshin-Awaji Daishinsai) como ficou conhecido localmente, foi um sismo ocorrido terça-feira, 17 de janeiro de 1995 às 05h46 JST (ou 16 de janeiro às 20h46 UTC) no sul da Prefeitura de Hyōgo, no Japão. Atingiu a magnitude 6,9 na escala de magnitude de momento (USGS), Mj7,3 (revista, inicialmente 7,2) na escala de intensidade sísmica da Agência Meteorológica do Japão. O tremor durou cerca de 20 segundos. O hipocentro localizou-se 16 km abaixo do seu epicentro, na extremidade norte da ilha Awaji, a 20 km da cidade de Kobe.
O Grande Terramoto de Hanshin-Awaji (阪神・淡路大震災), popularmente conhecido como Terramoto de Kobe, foi um sismo catastrófico que atingiu o sul da Prefeitura de Hyogo, no Japão, na manhã de 17 de janeiro de 1995. Foi o sismo mais destrutivo a atingir o Japão no século XX desde o Grande Terramoto de Kanto de 1923.
O evento expôs vulnerabilidades críticas nas infraestruturas urbanas modernas e na preparação governamental, resultando numa reformulação total das normas de engenharia sísmica e no nascimento do movimento de voluntariado cívico moderno no país.
O epicentro situou-se a 16 km abaixo da superfície, na ilha de Awaji. A rutura ocorreu na Falha de Nojima, uma falha transcorrente onde as placas tectónicas deslizam lateralmente. Embora a magnitude (6,9 Mw) não tenha sido tão extrema como a de megassismos de subducção, a proximidade direta com a densa malha urbana de Kobe e a natureza do solo (muitas áreas construídas sobre aterros marítimos) amplificaram as ondas sísmicas através da liquefação.
A imagem mais icónica do desastre foi o colapso de um trecho de 500 metros da Via Expressa Hanshin, que tombou lateralmente. O colapso foi atribuído ao facto de os pilares de betão armado não possuírem cintas de aço suficientes para suportar o cisalhamento horizontal, uma lição que levou ao reforço retroativo de milhares de pontes em todo o mundo.
O Porto de Kobe, na altura o sexto maior porto de contentores do mundo, foi quase totalmente destruído. Cerca de 120 cais sofreram colapsos parciais ou totais devido à liquefação do solo, o que paralisou a economia local por anos.
Mais de 300 incêndios deflagraram imediatamente após o abalo, causados por fugas de gás e curto-circuitos. No distrito de Nagata, a falta de água (devido à rutura das condutas) e o bloqueio das estradas por escombros impediram a ação dos bombeiros, resultando na destruição total de bairros históricos de casas de madeira.
O sismo foi apelidado de "O Despertar da Engenharia". O Japão implementou após 1995 as normas de construção mais rigorosas do mundo. Politicamente, o governo foi criticado pela lentidão inicial em aceitar ajuda internacional e mobilizar as Forças de Autodefesa, o que levou a uma centralização dos sistemas de gestão de crises em Tóquio.
Em memória das vítimas, a cidade de Kobe realiza anualmente a Kobe Luminarie, um festival de luzes que simboliza a esperança e a resiliência da cidade.
Aproximadamente 6 434 pessoas perderam a vida (estimativas finais de 22 de dezembro de 2005); cerca de 4 600 eram habitantes de Kobe. Dentre as maiores cidades do Japão, Kobe, com os seus 1,5 milhão de habitantes, era a que se encontrava mais próxima do epicentro e aquela que foi atingida pelos tremores mais violentos. Foi o sismo com mais impacto no Japão durante o século XX a seguir ao Grande sismo de Kantō de 1923, o qual provocou a morte de 140 000 pessoas. Os danos causados foram estimados em cerca de dez trilhões de ienes, ou 2,5% do PIB do Japão nessa altura. Com base numa taxa de câmbio média dos 500 dias de 97,545 ienes/dólar, os prejuízos do sismo terão sido equivalentes a 102,5 bilhões de dólares. Meio milhão de casas e imóveis foram destruídos, os trilhos de trem foram arrancados, as estações de metrô caíram e as estradas foram danificadas.
O abalo foi tão intenso que arrastou móveis pesados a vários centímetros de distância, além de ter causado dificuldades de locomoção e pânico a quem o presenciou. Essa foi a primeira vez em que um sismo atingiu o nível 7 na escala da Agência Meteorológica do Japão.
O tremor foi classificado como um "terremoto raso". Terremotos desse tipo podem ser muito destrutivos, mesmo em magnitudes mais baixas, pelo motivo de geralmente ocorrerem próximos de áreas povoadas e porque seus hipocentros estão localizados a menos de 20 km abaixo da superfície.==Referências==