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Sismo do Alasca de 1964

O Sismo do Alasca de 1964, também conhecido como Grande Terremoto do Alasca, ocorreu no dia 27 de março daquele ano. Por

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O Sismo do Alasca de 1964, também conhecido como Grande Terremoto do Alasca, ocorreu no dia 27 de março daquele ano. Por todo o centro-sul do Alasca, nos Estados Unidos, fissuras surgiram no solo, estruturas entraram em colapso e tsunamis resultantes do terremoto causaram cerca de 139 mortes.

Com duração de quatro minutos e trinta e oito segundos, foi o mais forte terremoto já registrado na história da América do Norte (9,2 Mw) e o segundo mais forte já registrado no mundo, só ficando atrás do Sismo de Valdívia de 1960, no Chile. Na Enseada do Príncipe Guilherme, Porto Valdez sofreu um enorme deslizamento submarino, que resultou na morte de 30 pessoas e destruiu o porto e as docas da cidade, além dos navios que estavam atracados ali naquele momento. Perto dali, um tsunami de 8,2 metros destruiu a aldeia de Chenega, matando 23 das 68 pessoas que viviam ali; os sobreviventes foram para áreas elevadas. Os tsunamis pós-terremoto afetaram severamente Whittier (Alasca), Seward, Kodiak e outras comunidades do Alasca, além da população de Colúmbia Britânica, Washington, Oregon e Califórnia. Tsunamis também causaram danos no Havaí e no Japão.

Depois daquela data, nenhum outro terremoto de magnitude superior foi registrado. Por outro lado, o sismo do Alasca permitiu comprovar que os abalos sísmicos estão diretamente relacionados à movimentação das placas tectônicas - até aquela época, pouco se compreendia sobre a origem dos terremotos.

O Alasca está situado numa das regiões tectonicamente mais complexas e ativas do mundo, onde a Placa do Pacífico se move para noroeste e subduz (mergulha) por baixo da Placa Norte-Americana a uma taxa de aproximadamente 5 a 7 centímetros por ano. Esta zona de contacto forma a Fossa das Aleutas.

A rutura de 1964 ocorreu ao longo de um segmento da falha inversa gigante que permaneceu bloqueado durante séculos. A área de rutura na interface das placas foi colossal, medindo cerca de 800 quilómetros de comprimento por 250 quilómetros de largura.

Deformação Tectónica e Alterações Geográficas

O sismo provocou deslocamentos verticais e horizontais de terra numa escala massiva, cobrindo uma área total de mais de 250 000 quilómetros quadrados:

Subsidência (Afundamento): Vastos territórios costeiros afundaram-se até 2,4 metros. Na Península de Kenai e a sul de Anchorage, florestas inteiras foram inundadas por água salgada do mar, criando extensas "florestas fantasma" devido à morte das árvores por salinização.

Elevação: Áreas a leste e sul sofreram elevações estruturais significativas. A maior elevação registada ocorreu na Ilha Montague, onde o solo subiu impressionantes 11,5 metros verticais, empurrando recifes de coral e o fundo do oceano para fora da água.

Deslocamento Horizontal: Partes do Alasca moveram-se lateralmente até 15 metros em direção ao Oceano Pacífico.

Apesar da magnitude extrema, o número de vítimas mortais foi relativamente baixo (131 mortos), em grande parte devido à baixa densidade populacional do Alasca na época, ao facto de o dia ser um feriado (Sexta-Feira Santa, com escolas e muitos escritórios vazios às 17h36) e à prevalência de construções residenciais de madeira, que absorvem melhor as ondas sísmicas do que edifícios de alvenaria.

A maior cidade do Alasca, localizada a cerca de 120 km a oeste do epicentro, sofreu os danos materiais mais severos devido à instabilidade do solo. O bairro residencial de Turnagain Heights foi devastado por um gigantesco deslizamento de terra rotacional, onde uma camada de argila instável (conhecida como Bootlegger Cove clay) sofreu liquefação. Casas inteiras deslizaram em direção ao mar, fragmentando-se no processo.

A baixa comercial da cidade também foi fortemente afetada. Na Fourth Avenue, o solo cedeu verticalmente cerca de 3 metros, fazendo com que blocos inteiros de lojas e automóveis estacionados ficassem enterrados abaixo do nível original da rua. A torre de controlo do Aeroporto Internacional de Anchorage colapsou por completo, matando o controlador de tráfego aéreo de serviço.

Cidades de Valdez, Seward e Kodiak

As comunidades costeiras sofreram um golpe duplo: o tremor destruiu as infraestruturas portuárias e os tsunamis imediatos destruíram o que restava.

Valdez: Um enorme deslizamento de terra submarino no porto fez com que as docas e os navios ali ancorados fossem sugados para o mar. Trinta e duas pessoas que se encontravam no cais no momento do abalo morreram instantaneamente. A cidade ficou tão vulnerável que teve de ser completamente reconstruída e realojada num novo local fortificado a alguns quilómetros de distância.

Seward: O sismo rompeu tanques de armazenamento de combustível da Standard Oil, que se incendiaram. Quando o tsunami atingiu a costa minutos depois, espalhou o combustível em chamas pela baía, criando um fenómeno raro de "tsunami de fogo" que destruiu linhas ferroviárias e bairros costeiros.

O terramoto gerou dois tipos de tsunamis: tsunamis locais (gerados por deslizamentos de terra submarinos em fiordes, que atingiram alturas extremas de até 67 metros na Baía de Shoup) e o tsunami tectónico transpacífico principal, gerado pela elevação do fundo do mar.

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