O terramoto de Concepción de 1835, também conhecido como o Grande Terramoto do Chile de 1835, foi um megasismo de subducção com uma magnitude estimada em 8,2-8,5 Mw que atingiu o centro-sul do Chile na manhã de 20 de fevereiro de 1835. O abalo destruiu quase por completo as cidades de Concepción, Talcahuano e Chillán, sendo seguido por um tsunami catastrófico que assolou a costa chilena e a Ilha de Juan Fernández.
Este evento possui uma enorme relevância histórica e científica porque foi presenciado e minuciosamente documentado pelo naturalista britânico Charles Darwin e pelo capitão Robert FitzRoy, que se encontravam na região durante a famosa expedição do HMS Beagle. Os dados recolhidos por eles ajudaram a fundamentar as teorias geológicas da época sobre o levantamento tectónico da Cordilheira dos Andes.
O sismo ocorreu devido à subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana, ao longo da Fossa do Peru-Chile. A rutura estendeu-se por uma faixa costeira de aproximadamente 400 quilómetros de comprimento. O deslocamento das placas provocou alterações geográficas permanentes e visíveis de imediato: FitzRoy mediu e documentou que partes da Ilha de Santa María sofreram um levantamento tectónico vertical de até 3 metros acima do nível anterior do mar, deixando camas de mexilhões e algas expostas e em decomposição fora da água.
Cerca de trinta minutos após o término do forte tremor, que durou vários minutos, o mar recuou drasticamente na Baía de Concepción. Pouco depois, uma sucessão de três ondas gigantes atingiu a costa. A maior delas atingiu uma altura vertical de run-up calculada em 15 metros. A localidade portuária de Talcahuano foi completamente varrida; edifícios e grandes embarcações foram arrastados centenas de metros terra adentro. Apesar da violência das águas, o número de vítimas mortais foi invulgarmente baixo (menos de 150 mortos), uma vez que a população, habituada a sismos, fugiu para as colinas assim que o solo parou de tremer.
Darwin encontrava-se nos arredores de Valdivia quando o sismo começou e descreveu a sensação de caminhar num solo instável como "andar sobre uma camada de gelo fino que cede a cada passo". Ao visitar as ruínas de Concepción dias depois, ele ficou impressionado com o poder destruidor da natureza. No seu diário (publicado mais tarde como A Viagem do Beagle), Darwin anotou:
> "Um terramoto destrói instantaneamente as nossas associações mais antigas: a terra, o próprio emblema da solidez, moveu-se sob os nossos pés como uma crosta fina sobre um fluido; um espaço de tempo de um minuto foi suficiente para destruir a habitação de várias gerações."
Os relatos de Darwin sobre a atividade vulcânica simultânea na região (como a erupção do vulcão Osorno) e o levantamento da costa serviram de provas cruciais para o geólogo Charles Lyell demonstrar que os continentes se elevavam gradualmente através de forças sísmicas repetidas ao longo do tempo geológico.