Solano Trindade (Recife, 24 de julho de 1908 — Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1974) foi um poeta brasileiro, folclorista, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante do Movimento Negro e do Partido Comunista. Morou e trabalhou em Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Embu das Artes.
Filho do sapateiro Manuel Abílio Trindade e de Emerenciana Maria de Jesus Trindade. Foi operário, comerciário e colaborou na imprensa.
Nasceu no bairro São José em Recife/PE, estudou no Colégio Americano Evangélico de Pernambuco (atual Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes), onde fez o curso de teatro. Em 1935, casou-se com Margarida Trindade com quem teve 4 filhos.
No ano de 1934 idealizou o I Congresso Afro-Brasileiro no Recife, Pernambuco, e participou em 1936 do II Congresso Afro-Brasileiro em Salvador, Bahia.
Mudou-se para o Rio de Janeiro, nos anos 40 e logo depois para a São Paulo, onde passou a maior parte de sua vida no convívio de artistas e intelectuais. Participou de um grupo de artistas plásticos com Sakai de Embu onde integrou na produção artística a cultura negra e tradições afro-descendentes. O poeta foi homenageado com o nome em uma escola e uma rua na região central do município.
Trabalhou no filme A Hora e Vez de Augusto Matraga de Roberto Santos.
A produção poética publicada por Solano Trindade ficou registrada em um livro organizado por sua filha Raquel Trindade, em 1999. Sua poesia registra a sua biografia marcada pela paixão pelas mulheres, uma identidade racial e social identificada com negros e com as classes populares e o compromisso com a defesa do que convencionou chamar de tradições culturais do seu povo.
Compromisso presente na produção e encenação de seus espetáculos ligados à cultura popular com o grupo Teatro Popular Brasileiro. O grupo deu origem ao Teatro Popular Solano Trindade, em Embu das Artes, onde sua família mantém viva a memória e a obra do poeta.
Multiartista, pesquisador e incentivador das culturas populares. Recebeu homenagens com referência a sua obra e trajetória. Sobretudo, no contexto do centenário do nascimento desse artista difusor da cultura afro-brasileira. Cujo, reconhecimento insere o denominado a noção de "Poeta do Povo" e "Poeta da Resistência Negra" na condição de principal poeta negro contemporâneo da cultura popular afro-brasileira.
Poemas de Uma Vida Simples, poesia, Rio de Janeiro, 1944.
Folclore e cinema, tese apresentada no I Congresso de Cinema, 1952.
Rumos de um teatro popular, Revista do Serviço Nacional do Teatro, 1954.
Seis tempos de poesia, poesia, 1958.
Cantares ao Meu Povo, poesia, São Paulo, 1961.
Sambalelê tá doente, peça de teatro, 1964.
Jornal de Poesia - Solano Trindade
Cantor da alma coletiva - Wilson Rocha
A educação antirracista e o poema “Tem gente com fome”, de Solano Trindade: