Neste Dia

Tereza Rachel

Actriz brasileira

Anúncio

Teresinha Malka Brandwain Taiba de La Sierra (Nilópolis, 10 de março de 1934 — Rio de Janeiro, 2 de abril de 2016) foi uma atriz e produtora teatral brasileira. Tereza é reverenciada como uma das damas do teatro brasileiro, destacando-se por suas interpretações marcantes e pela produção de vanguarda no Teatro Tereza Rachel, que fundou em 1971. Na televisão, especializou-se em vilãs ricas e fúteis, papel que lhe deu ampla projeção. Recebeu um Prêmio APCA, um Prêmio Molière, um Troféu Imprensa e o Kikito de Melhor Atriz do Festival de Gramado.

A carreira de Rachel teve início no teatro em 1955, como Valentine em Os Elefantes, mas ganhou maior repercussão no ano seguinte ao estrelar Prima Donna, que lhe rendeu o prêmio de atriz revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Ela logo fez sua estreia na televisão estrelando a série O Jovem Dr. Ricardo, na TV Tupi, e no cinema a mocinha da comédia Genival É de Morte, ambos em 1956. Nos anos seguintes, intensificou sua atuação no teatro, estudando na França e na Itália e estrelando, em 1963, as montagens Romanoff e Julieta e Quando Se Morre de Amor, do Teatro Brasileiro de Comédia, pela qual recebeu o Prêmio Saci.

Ela fundou o Teatro Tereza Rachel em 1971, onde montou os principais espetáculos de sua carreira. Neste período, destacou-se pela ousadia e vanguarda ao encenar autores ainda pouco explorados no Brasil, como A Mãe (1971), de Stanislaw Witkiewicz, e As Gaivotas (1972), de Anton Tchekhov. Recebeu o Troféu Kikito de Melhor Atriz do Festival de Gramado por sua interpretação na comédia Amante Muito Louca, em 1973. No cinema, também foi amplamente elogiada por sua atuação em A Volta do Filho Pródigo (1981), pela qual recebeu o Prêmio APCA, e em Pedro Mico, no qual fez par romântico com o jogador Pelé.

Na televisão, ganhou maior destaque em telenovelas a partir da década de 1970, sobretudo por suas personagens extravagantes, fúteis e ricas. Seu primeiro papel de repercussão foi em O Rebu (1974) como a viúva rica Lupe Garcez. Tereza também foi elogiada por seus papéis como Clô Hayala em O Astro (1977), Marta em Baila Comigo (1981), Renata em Louco Amor (1983) e Rainha Valentine em Que Rei Sou Eu? (1989), recebendo o Troféu Imprensa por esta. Após A Próxima Vitima (1995) afastou-se da atuação, fazendo raras participações especiais a partir de então.

Teresinha Malka Brandwain Taiba nasceu 10 de março de 1934 em Nilópolis, na Baixada Fluminense, oriunda de uma família de imigrantes judeus estabelecidos na cidade. Cursou a Escola de Teatro Martins Penna e o Curso de Interpretação do Teatro Duse, além de realizar estágio no Conservatório de Teatro de Paris. Também graduou-se em Línguas Neolatinas pela Faculdade de Filosofia do Instituto La-Fayette, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Primeiros trabalhos e avanços (1955—1969)

Tereza Rachel iniciou sua carreira como atriz profissional sob direção de Henriette Morineau em Os Elegantes, de Aurimar Rocha, em 1955. Anteriormente, ela havia aparecido como estudante em algumas montagens teatrais de tragédias gregas, como Édipo (1951), onde interpretou Antígona, e Hécuba (1953). Em 1956, foi eleita a atriz revelação do ano pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) por sua performance no espetáculo Prima Dona, escrito e dirigido por José Maria Monteiro. Foi também em 1956 que ela apareceu pela primeira vez na televisão estrelando com Cyl Farney a série médica O Jovem Dr. Ricardo, na TV Tupi, onde interpretava a enfermeira Patrícia, funcionária do consultório cuja trama se passa.

O primeiro filme da carreira de Rachel estreou nos cinemas em 1956. Em Genival É de Morte, de Aloísio T. de Carvalho, interpretou Mocinha, uma jovem que planeja diversas situações para atrair o conquistador de mulheres casadas Genival, papel de Ronaldo Lupo, para uma farsa. Foi contratada pelo Teatro Nacional de Comédia (TNC) em 1957 e atua nas peças O Telescópio, com direção de Paulo Francis, e em A Bela Madame Vargas, de Paulo Barreto. Em 1958, na Companhia Tônia-Celi-Autran, atuou em A Ilha das Cabras, de Ugo Betti, com direção de Adolfo Celi. No ano seguinte, participou de três montagens do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC): Romanoff e Julieta, de Peter Ustinov, Patate, de Marcel Achard, ambas dirigidas por Alberto D'Aversa, e Quando Se Morre de Amor, de Giovanni Patroni Griffi, também sob direção de D'Aversa. Por sua atuação nesta última, recebeu o Prêmio Saci de Melhor Atriz em Teatro.

Em 1961, retornou ao TNC, integrando o elenco de Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, em montagem dirigida por José Renato. No ano seguinte, realizou viagem de estudos à Itália e à França. De volta ao Brasil, produziu e atuou em Bonitinha, mas Ordinária, de Nelson Rodrigues, com direção de Martim Gonçalves. Em 1963, Rachel voltou a atuar no cinema em três produções. Interpretou Clotilde, a Senhora do Pieró, na cinebiografia Ganga Zumba, centrada no primeiro líder do Quilombo dos Palmares; viveu Donna Cecilia na coprodução internacional Manaus, Glória de uma Época; e fez uma participação especial em Sol sobre a Lama, de Cacá Diegues.

Em 1965, integrou o elenco de O Berço do Herói, de Dias Gomes, com direção de Antônio Abujamra. No entanto, a montagem foi interditada pela censura no dia do ensaio geral. No mesmo ano, integrou o elenco de Liberdade, Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, dirigida por Flávio Rangel e produzida pelo Grupo Opinião. Em 1966, retornou à televisão após quase uma década de afastamento para protagonizar a novela A Pequena Karen, na qual interpretou Francis Drummond. Na trama, sua personagem era sobrinha da diretora de um internato que, por negligência, havia provocado a morte da jovem Karen (Susana Vieira) e a colocava em seu lugar para ocultar o crime. Tereza deixou o elenco antes do término da novela por motivos de saúde, sendo substituída por Lídia Costa. Em 1967, interpretou Jocasta em Édipo Rei, ao lado de Paulo Autran, em montagem de grande êxito de público. Em 1969, integrou o elenco da histórica encenação de O Balcão, de Jean Genet, realizada pelo Teatro Ruth Escobar, com direção de Victor Garcia.

Expansão televisiva e notoriedade nacional (1970—1979)

Em 1971, após assistir, na França, a uma montagem de A Mãe, de Stanislaw Witkiewicz, produziu a versão carioca da peça, trazendo de Paris o diretor Claude Régy para conduzir a encenação. O espetáculo inaugurou as atividades oficiais do Teatro Tereza Raquel, e sua interpretação da protagonista lhe rendeu o Prêmio Molière. No mesmo ano, produziu Tango, de Sławomir Mrożek, reafirmando seu interesse pela dramaturgia polonesa de vanguarda, ainda pouco difundida no Brasil. A montagem, dirigida por Amir Haddad, recebeu elogios da crítica pela concepção cênica de Joel de Carvalho, que integrava palco e plateia, e pelas interpretações da atriz junto com Sérgio Britto, Sadi Cabral e Ary Coslov. A escolha de mais um texto de vanguarda contribuiu para consolidar sua reputação como uma das mais ousadas produtoras do teatro carioca.

Em 1972, retorna às telenovelas com um papel coadjuvante na novela Jerônimo, o Herói do Sertão, da TV Tupi, onde interpretou Maria Homem. No ano seguinte, atuou no filme de comédia Amante Muito Louca, de Denoy de Oliveira, no qual interpretou uma amante que surpreende o companheiro durante as férias que ele passava com a família. Sua atuação foi elogiada pela crítica e lhe rendeu o Troféu Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado. Em 1974, trouxe o diretor francês Jorge Lavelli para encenar A Gaivota, de Anton Tchekhov, montagem que novamente recebeu atenção da crítica especializada.

Tereza foi contratada pela TV Globo em 1974 para fazer parte do elenco de suas produções, onde fez seus principais trabalhos na televisão. Em O Rebu (1974), seu primeiro trabalho na emissora, interpretou a viúva rica de temperamento forte Lupe Garcez, sendo parte dos convidados da festa em que ocorre o crime da trama. No ano seguinte, é escalada para o elenco de O Grito, onde interpretou uma atriz decadente, de personalidade fútil e vaidosa, que sofre com a solidão e insegurança. Em 1976, recebeu novos elogios por sua atuação em Gata em Telhado de Zinco Quente, de Tennessee Williams, com direção de Paulo José. Segundo o crítico Yan Michalski, a atriz realizou "numa composição tensa, elétrica, sensual e sobretudo admiravelmente rica de intenções" um de seus melhores desempenhos como Maggie. Para a jornalista Tânia Pacheco, "nas mudanças da agressão para a quase ternura, da 'gata' para a mulher, seu trabalho de atriz merece aplausos".

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Tereza Rachel | World in Stories