Theatro da Paz (inicialmente chamado Nossa Senhora da Paz) localiza-se na Praça da República, em Belém, Pará. Foi projetado pelo engenheiro pernambucano José Tibúrcio Pereira Magalhães no estilo neoclássico e inaugurado em 1878 no contexto da então província do Grão-Pará (1821–1889) e do período áureo da exploração da borracha na Amazônia (1871–1914). É considerado pelo IPHAN um teatro-monumento e patrimônio histórico, além de ser o primeiro teatro de ópera da Amazônia e um dos primeiros teatros líricos do Brasil. Em 2026, foi tombado como Patrimônio Mundial da UNESCO.
O nome inicial foi sugerido por Dom Antônio de Macedo Costa, quando lançou a pedra fundamental do edifício em 1869 (alusivo ao fim da Guerra do Paraguai). Posteriormente, mudou a denominação pois o local abrigaria "apresentações mundanas".
Para o lançamento oficial do teatro, foi encenada a produção do dramaturgo francês Adolphe d'Ennery, As duas órfãs, pela companhia do pernambucano Vicente Pontes de Oliveira.
A construção deste espaço durante a Belle Époque brasileira (1871–1914) formou o polígono da cultura e local de reunião da elite de Belém (Palacete Bolonha, Grande Hotel, Cine Olympia e Theatro da Paz). O teatro foi premiado pelo site Trip Savvy na categoria "Melhor local para amantes da cultura" do concurso "Escolha do Editor 2021" (do inglês "Editor’s Choice Award 2021"), destacado como um dos melhores lugares para se visitar a nível global.
Em 1756, houve um surto endêmico de varíola na capitania do Grão-Pará (1621–1820), vitimando vários belenenses, sendo necessário construir um cemitério no bairro da Campina para tantos corpos (no Largo da Campina).
Anos após o fim do surto, o cemitério foi desativado. Nesse local, o governo da província ergueu um armazém para se guardar pólvora, emprestando-lhe o nome de Largo da Pólvora. logo substituído por Praça da República no período da Belle Epóque (1871–1914), diante dos pedidos da então elite da borracha, que buscava reproduzir os hábitos europeus.
Com a pressão da nova elite, o governo da província contratou o engenheiro militar pernambucano José Tibúrcio Pereira Magalhães para projetar o novo teatro, inspirado no Teatro alla Scala, de Milão. Em 3 de março de 1869, o arcebispo-primaz Antônio de Macedo Costa lançou a pedra fundamental, batizando-a com o nome "Nossa Senhora da Paz", em referência ao fim da Guerra do Paraguai (1864-1870). Porém, este posteriormente modificou o nome, ao observar que a denominação “Nossa Senhora” seria indigno para um espaço onde ocorriam apresentações não eclesiásticas ("apresentações mundanas").
A construção do edifício aconteceu entre 1869 e 1874, estendendo-se em razão de diversas dificuldades envolvendo engenheiros, governo, construtores e o custo final da obra. Construído por Calandrine de Chermont com pequenas alterações introduzidas pela repartição de Obras Públicas, a obra foi finalizada em 1874 mas, devido a denúncias contra os construtores, um inquérito foi iniciado e o teatro apenas foi inaugurado em 15 de fevereiro de 1878.
O teatro foi inaugurado com público formado pela aristocracia de Belém, ao som do drama do francês Adolphe d'Ennery As duas órfãs e da orquestra sinfônica do maestro Francisco Libânio Collas, espetáculo da companhia de Vicente Pontes de Oliveira, que teve um contrato que durou cinco anos, tornando-o encarregado pela iluminação, decoração, coreografia no teatro, além de organizador da agenda de eventos.[carece de fontes]?
A presença do teatro na Praça Dom Pedro II impactou a região, valorizando-a e consolidando-a como polo cultural da cidade de Belém; criava-se assim o Polígono da Cultura, formado pelo Palace Bolonha, Grande Hotel, Cine Olympia e pelo Theatro da Paz, local onde ocorriam muitas visitas ilustres e local comum de reunião da aristocracia de Belém que, elegantemente trajada à moda parisiense, desfilava joias e vaidades.
No período de 1887 a 1890, o teatro passou por reformas com o objetivo de embelezar o prédio e fazer correções estruturais, a pedido da sociedade local, período em que foram feitas as pinturas da sala de espetáculo, realizadas pelos artistas Chrispim do Amaral e Domenico de Angelis.
O teatro sofreu alterações na sua fachada após a grande reforma de 1904. Foi retirada uma das sete colunas do pátio frontal superior do Theatro, para atender aos preceitos arquitetônicos do período neoclássico, que pediam número par de colunas em frontarias. Cobrado pela Sociedade Artística Internacional, que mantinha o Theatro, o então Governador Augusto Montenegro mandou demolir a fachada, que era um pátio coberto, e reconstruí-la recuando a fachada e retirando uma coluna, e, no vácuo que ficou à mostra, antes preenchido por pequenas janelas, mandou colocar bustos simbolizando as artes - Dança, Poesia, Música e Tragédia -, e, ao centro, o brasão de armas do estado do Pará, para fortalecer a simbologia republicana que estava enfim instaurada. Entretanto, suas linhas arquitetônicas gerais foram mantidas.[carece de fontes]?
O teatro, no dizer de Leandro Tocantins, "é um monumento neoclássico por excelência", o que se vê nas laterais, nos pátios cercados de colunas, nas escadas que dão acesso à Praça da República e nas poltronas de palhinhas (não de almofada), dispostas em formato de ferradura. No saguão, há dois bustos talhados em mármore de carrara: José de Alencar e Gonçalves Dias, introdutores do indianismo no Brasil. No salão nobre, ao lado de espelhos de cristal, estão os bustos dos maestros Carlos Gomes e Henrique Gurjão.[carece de fontes]?
Ali Carlos Gomes encenou sua ópera O Guarani, e a bailarina russa Anna Pavlova passou com suas sapatilhas. O decorador desse cenário privilegiado foi o italiano Domenico de Angelis, que, posteriormente, decorou o Teatro Amazonas de Manaus. Ele foi também o autor do belo painel representando os deuses gregos Apolo e Diana no cenário amazônico que fica no teto da sala de espetáculos. Dele também era o teto de jover, perdido por causa de uma infiltração. Esse teto foi repintado em 1960 por outro artista italiano, Armando Balloni.[carece de fontes]?
Durante o ciclo da borracha, as mais famosas companhias líricas se apresentaram ali. Com o declínio da borracha, o Theatro da Paz passou por grandes dificuldades. Sem apresentações, estava quase sempre fechado, e as restaurações não eram suficientes para lhe garantir um bom funcionamento.[carece de fontes]?
Em 1996, foi criada a primeira orquestra da história do teatro, denominada "Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz" (OSTP), por iniciativa da Secretaria Executiva de Cultura do Pará em parceria com a Fundação Carlos Gomes, conduzida atualmente pelo maestro paraense Miguel Campos Neto.
Em 2002, após dois anos de restauração, o Theatro reabriu com o "Festival de Ópera do Theatro da Paz" (FOTP), o segundo do tipo mais antigo do país. Segundo Daniel Araújo, atual diretor do Theatro, “ao longo de 20 anos de história fomos construindo um casting de cantores, produtores, cenógrafos e cenotécnicos, de toda uma equipe que é multidisciplinar que trabalha nos bastidores e nos palcos que hoje nos permite fazer ópera como nós fizemos no passado, trazendo convidados mas essencialmente com coro, orquestra, com toda essa equipe técnica formada aqui”. O primeiro Festival de Ópera contou com atrações nacionais e internacionais, como a ópera Macbeth do compositor italiano Giuseppe Verdi, regida pelo maestro inglês Patrick Shelley.
Em 2026, foi reconhecido, juntamente com o Teatro Amazonas, como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A candidatura conjunta dos dois teatros — formalizada pelo IPHAN em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, com a colaboração das Secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará — foi aprovada em 27 de julho de 2026 pelo Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, na Coreia do Sul. Com o reconhecimento, ambos passaram a integrar a lista do Patrimônio Mundial da UNESCO sob a designação "Teatros da Amazônia".