Todd Wallace Blanche (Denver, 6 de agosto de 1974) é um advogado e ex-promotor norte-americano que, desde abril de 2026, exerce o cargo de Procurador-Geral dos Estados Unidos. Anteriormente, ocupou a posição de Vice-Procurador-Geral dos Estados Unidos desde janeiro de 2025, cumulando ainda, a partir de maio de 2025, a função interina de Bibliotecário do Congresso.
Formado pela American University em 1994 e pela Brooklyn Law School em 2003, atuou na divisão de crimes violentos do Escritório do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova Iorque. Em 2017, tornou-se sócio do escritório Cadwalader, Wickersham & Taft. Em sua atuação privada, defendeu diversas figuras ligadas ao presidente Donald J. Trump e Rudolph Giuliani, entre elas Paul Manafort, Igor Fruman e Boris Epshteyn.
Em abril de 2023, foi contratado por Donald Trump para liderar sua defesa na ação por pagamentos ocultos à atriz Stormy Daniels, movida pela Procuradoria do Distrito de Nova Iorque. Posteriormente, representou Trump nos processos federais relativos a documentos classificados e obstrução eleitoral, tendo sido o principal advogado de defesa no julgamento criminal em Nova Iorque.
Após a vitória de Trump nas eleições de 2024, foi indicado para Vice-Procurador-Geral, cargo para o qual foi confirmado pelo Senado em março de 2025. Em maio de 2025, foi nomeado Bibliotecário do Congresso interino após a exoneração de Carla Hayden, decisão contestada pela direção da instituição. Em 2 de abril de 2026, assumiu interinamente a Procuradoria-Geral dos Estados Unidos após a demissão de Pam Bondi. Em 10 de agosto do mesmo ano, Blanche foi empossado oficialmente no cargo após aprovação e confirmação pelo Senado por 50–49 votos.
Todd Wallace Blanche nasceu em 6 de agosto de 1974, em Denver, no Colorado. Seu pai, Richard Blanche, era um jogador canadense de hóquei no gelo, enquanto sua mãe atuava como enfermeira. Criado em Denver, cresceu em um ambiente religioso o pai administrava uma congregação chamada Faith Bible Fellowship no porão da residência familiar. Após queixas de vizinhos, as autoridades consideraram a congregação uma violação de zoneamento urbano. Richard foi citado por desacato, mas declarou que continuaria a pregar mesmo da prisão e recorreria da decisão. A Suprema Corte do Colorado acabou por decidir contra ele. Em decorrência do episódio, a família transferiu-se para Gainesville, na Flórida, em 1987.
Frequentou o New Mexico Military Institute, onde se destacou como atleta. Em 1992, ingressou na Louisiana State University (LSU), mas transferiu-se no ano seguinte para o Beloit College, onde integrou as equipes de basquetebol e beisebol. Por volta de 1994, transferiu-se novamente, dessa vez para a American University, em Washington, D.C., motivado tanto pelo interesse em política quanto pelo desejo de aproximar-se de Kristine, uma estudante de biologia na Catholic University of America, com quem havia se conhecido na Austrália. Ainda em 1994, aos vinte anos, casou-se com Kristine o casal viria a ter dois filhos.
Estágios e atuação como promotor (2003–2014)
Após graduar-se pela Brooklyn Law School em 2003, atuou como associado no escritório Davis Polk & Wardwell e realizou clerkships temporários junto aos juízes federais Denny Chin, da United States District Court for the Southern District of New York, e Joseph F. Bianco, da United States District Court for the Eastern District of New York. Em 2006, regressou ao Escritório do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova Iorque como Assistant United States Attorney (AUSA). Durante oito anos, integrou a divisão de crimes violentos do escritório, tendo chegado a exercer as funções de co-chefe da unidade. Posteriormente, dirigiu o escritório distrital em White Plains, Nova Iorque, ao lado de Mimi Rocah. Segundo a FT Magazine, seus colegas consideravam-no um candidato natural a uma nomeação judicial.
Ao deixar o Ministério Público federal, ingressou como sócio no escritório WilmerHale. Em 2017, transferiu-se para o prestigiado Cadwalader, Wickersham & Taft, também como sócio. A partir de junho de 2019, passou a representar, em sua capacidade pessoal (com aprovação do escritório), o operador político Paul Manafort, após este ser indiciado por fraude hipotecária no âmbito estadual em Nova Iorque. Blanche obteve a extinção das acusações com base no princípio do double jeopardy previsto na legislação de Nova Iorque decisão confirmada pela Suprema Corte do estado em outubro de 2020. Além de Manafort, representou o empresário Igor Fruman, associado de Rudolph Giuliani envolvido no escândalo Trump-Ucrânia, bem como o advogado Boris Epshteyn.
Atuação junto a Donald Trump (2023–2024)
Em fevereiro de 2023, quando Donald Trump se preparava para ser indiciado em Nova Iorque pelos pagamentos ocultos à atriz Stormy Daniels, Boris Epshteyn foi encarregado de recrutar advogados para sua defesa e solicitou a colaboração de Blanche. Em abril daquele ano, um dia antes da arraignment, Trump o integrou à sua equipe de defesa. No mesmo mês, fundou seu próprio escritório, o Blanche Law. De acordo com o The New York Times, tanto Epshteyn quanto Manafort recomendaram Blanche a Trump. O comitê de reputação do Cadwalader, Wickersham & Taft manifestou discordância quanto à decisão de Blanche de representar Trump, o advogado, por sua vez, expressou insatisfação com a falta de flexibilidade demonstrada pelo escritório. Consequentemente, deixou o Cadwalader para dedicar-se integralmente à defesa de Trump. Após a indiciação federal de Trump pelo suposto retenção ilegal de documentos classificados em Mar-a-Lago, Trump substituiu os advogados James Trusty e John Rowley por Blanche, que se tornou seu principal defensor ao lado de Christopher Kise. Blanche também integrou a equipe de defesa no processo federal por obstrução eleitoral. Antes de representar Donald Trump, Blanche era filiado ao Partido Democrata. Em 2024, mudou sua filiação partidária para o Partido Republicano.
Liderou a estratégia de defesa de Trump no julgamento criminal realizado em Nova Iorque. Buscou postergar o processo para além das eleições presidenciais de 2024, estratégia que aliados de Trump consideraram bem-sucedida, tendo o juiz Juan Merchan concedido um adiamento limitado de três semanas. Durante o processo, desenvolveu estreita relação pessoal com Trump e incorporou em suas alegações várias teses públicas de Trump, notadamente a de que se tratava de uma perseguição política. O juiz Merchan o criticou em diversas ocasiões por utilizar linguagem informal em petições, por acusar indevidamente a Procuradoria do Distrito de Nova Iorque de conduta imprópria e por não responder diretamente a questionamentos do tribunal. A estratégia inicial da defesa incluía a seleção de um jurado que pudesse forçar a declaração de mistrial no entanto, o júri condenou Trump por unanimidade em 34 acusações de falsificação de registros empresariais em maio de 2024.
A linha de defesa adotada por Blanche consistiu em minimizar a relevância dos pagamentos, ao mesmo tempo em que retratava Michael Cohen e Stormy Daniels como narradores não confiáveis, movidos por motivações de vingança ou ganho financeiro. Durante o julgamento, travou duros embates verbais com Cohen. Em novembro de 2024, a ABC News noticiou que o telefone de Blanche havia sido alvo de hackers vinculados a atores estatais chineses.
Vice-Procurador-Geral (2025–presente)
Em 14 de novembro de 2024, o presidente eleito Trump anunciou que pretendia nomear Blanche para vice-procurador-geral dos Estados Unidos. Ele foi confirmado para o cargo pelo Senado dos EUA em 5 de março de 2025, com uma votação de 52–46.
Interrogatório de Ghislaine Maxwell
Em julho de 2025, Blanche realizou uma segunda reunião pessoal com Ghislaine Maxwell, uma traficante sexual condenada e associada do falecido agressor sexual Jeffrey Epstein. Numa análise para a CNN, Aaron Blake afirmou que o presidente Trump "demonstrou laços pessoais anteriores com Epstein" e disse: "os críticos reclamaram que o funcionário do DOJ que entrevistou Maxwell foi Blanche, em vez de um promotor apolítico que esteve envolvido no caso e que teria muito mais experiência".