Urucará é um município brasileiro do interior do estado do Amazonas, Região Norte do país. Pertencente à Região Geográfica Intermediária de Parintins e Região Geográfica Imediata de Itacoatiara, está situado a leste de Manaus, capital do estado. Sua população, de acordo com estimativas de 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 16 007 habitantes.
O nome do município vem do vocábulo nativo, com a junção dos termos Uru e Cará que significam cesto de palha e inhame, o que formaria o nome "cesto com inhames". Não se sabe ao certo o motivo do nome escolhido.
Antes da ocupação pelo homem europeu, Urucará era habitada por povos nativos das etnias Burubus, Caboquenas e Guanavenas.
Vestígios da presença de povos ou civilizações antes da chegada dos europeus foram encontrados em Urucará. Em 2023 quando o estado do Amazonas enfrentou uma grave seca, o nível baixo da água permitiu que que pedras submersas por muitos anos, bem em frente à cidade, pudessem ser vistas e nelas observadas caretas esculpidas que foram consideradas artes rupestres por pesquisadores, que estimaram que elas estão lá há mais de mil anos. Em 2024, novamente durante o período de estiagem, foram encontradas cerâmicas em local bem próximo do achado de 2023, no "pedral do São José" (São José é o bairro mais próximo da localidade). O principal objeto encontrado foi um vaso ou urna funerária muito bem conservado. A região passou a ser considerada um sítio arqueológico.
A cidade de Urucará começou com um pequeno povoado, fundado em 1814 por Crispim Lobo, ao qual ele chamou de "Santana da Capela". Apenas em 3 de Maio de 1880 a localidade passou a ter algum nível de oficialidade, quando passou a ser considerada um distrito (ou freguesia) chamado "Nossa Senhora Santana de Capela". Sete anos depois, em 12 de Maio de 1887, através de lei provincial, foi desmembrada de Silves e elevada à categoria de vila, passando a ser chamada Nossa Senhora Santana de Urucará. Apenas em 1892 o agora município passou a ser chamado oficialmente apenas de Urucará.
Em 1930 o município de Urucará chegou a ser extinto, passando a ser integrado ao município de Itacoatiara, voltando a ser desmembrado apenas 5 anos depois, em 1935. Em 1938 a vila passou a ter foros de cidade.
Quando se fala da sede do município, este é dividido por bairros. O primeiro bairro criado em Urucará foi o Centro Histórico. Somente a partir daí as demais áreas da cidade passaram a receber ocupação humana, com a chegada de migrantes e pessoas vindas de outras regiões do Brasil, principalmente do Nordeste. Há em Urucará muitas famílias oriundas do município de Parintins.
A zona rural por sua vez é dividida em Zonas e comunidades. O Castanhal é a maior dessas comunidades, tendo atualmente o caráter de distrito por possuir mais de 2 mil habitantes.
Sua produção agrícola é baseada no cultivo de mandioca, cacau, maracujá, banana, guaraná, milho e feijão.
Em 2026 um estudo da Universidade Federal do Amazonas qualificou Urucará como município de potencial econômico oculto no Médio Amazonas, se destacando pela produção de guaraná orgânico com certificação. O estudo ressaltou que Urucará tem 77% de suas vias arborizadas mas em contraponto o saneamento básico ainda é deficiente. Por meio deste foi sugerida a formação de um consórcio de Urucará com outros municípios do médio Amazonas (Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Silves) para que trabalhem juntos em todas as esferas e resolvam juntas seus problemas comuns.
Das 9 toneladas de guaraná orgânico produzido em Urucará, safra 2006/2007, 80% foi exportada para o exterior, principalmente para países como França, Itália e Alemanha. Urucará é também um dos principais fornecedores de guaraná para a Coca-Cola, sendo um dos cinco primeiros municípios a fornecer para a multinacional, através da Cooperativa Agrofrut que em 2019 vendia a produção de 66 famílias para a multinacional.
A AgroFrut foi constituída em 15 de Janeiro de 2001 como associação de famílias produtoras, e tornou Urucará o 2º maior produtor de guaraná no estado do Amazonas (atrás apenas de Maués). Foi a primeira cooperativa do Amazonas e talvez do Brasil a conquistar a Certificação Orgânica e o Selo do Comércio Justo, o que ganhou para o município novos mercados no exterior.
Pedro Geraldo Raimundo Falabella, conhecido como "Falabella", foi uma das lideranças políticas do município, era economista e artista plástico, eleito prefeito do município por 5 ocasiões, saiu da cidade em 2003 para assumir a direção da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (AFEAM), importante instituição de financiamento de trabalhadores rurais que esteve à frente por 11 anos, além de ter sido superintendente do BASA. Ele recebeu a honraria da Medalha do Mérito Legislativo, cedida pela ALEAM. Falabella faleceu aos 72 anos em 28 de maio de 2014. O Centro de Educação em Tempo Integral de Urucará recebe o seu nome.
A bandeira de Urucará consistia de seu brasão de armas inserido num retângulo que é dividido diagonalmente em duas partes, a inferior verde e a superior branca.
O antigo Porto do Município de Urucará, batizado "José Júlio da Gama" foi reinaugurado em 6 de Junho de 2025. A obra foi realizada com financiamento do Governo do Amazonas e orçado em R$6,4 milhões. A estrutura ganhou nova balsa coberta, de 316,97 metros quadrados e rampa metálica de acesso para passageiros e mercadorias.
O município é uma potência estadual no Handebol, com grande destaque nos Jogos Escolares do Amazonas (JEAs) e nos Campeonatos Estaduais das Categorias de Base.
Em 2012 a equipe juvenil masculina da Escola Estadual Balbina Mestrinho foi campeã estadual do JEAs batendo por 26x15 o Adalberto Vale, uma das potências locais do esporte escolar. Muitas outras conquistas do JEAs vieram depois, em 2026 ganhou o título estadual de forma invicta com a equipe da Escola Municipal Maria Dulcinei dos Santos Cunha. Ganhando o direito de representar o estado nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) conquistou a prata a nível nacional no mesmo ano. Em 2023 a Seleção feminina da mesma escola foi bicampeã estadual.
Fora da esfera escolar, em 2017, o selecionado feminino venceu o Desafio Intermunicipal, ao bater por 31 a 28 o Rio Negro, uma das potências locais no handebol. Em 2023 os times locais masculino e feminino foram campeões invictos do Campeonato Amazonense de Cadetes. A seleção feminina foi tricampeã consecutiva de 2023 a 2025. Em 2024 e 2025 fez novamente a dobradinha, conquistando o ouro nas categorias feminino e masculino do Campeonato Amazonense Infantil.