Volodymyr Volodymyrovych Vakulenko (em ucraniano: Володимир Володимирович Вакуленко, transl. Volodymyr Volodymrovytch Vakulenko, pronúncia em ucraniano: [woloˈdɪmɪr woloˈdɪmɪrowɪtʃ wɐˈkulenko]; 1 de julho de 1972 – entre 24 de março e 12 de maio de 2022) foi um poeta, escritor infantil e wikipedista ucraniano, que também esteve envolvido com trabalho voluntário e ativismo.
Foi assassinado durante a ocupação russa da Carcóvia [en], na Ucrânia, em 2022. Foi um dos vencedores do Prêmio Literário Internacional Oles Ulianenko e laureado do concurso Les Martovych [uk] do Reino Unido.
Vakoulenko nasceu em 1 de julho de 1972, na maternidade de Izium, cidade industrial na região da Carcóvia, na União Soviética. A casa de sua família está localizada na vila de Kapytolivka. Era divorciado, e tinha dois filhos, frutos do seu primeiro e segundo casamentos, Vladyslav e Vitalii.
Estudou na Capitol High School entre 1979 e 1987, e na Chervony Oskil High School de 1987 a 1989. Foi membro do Movimento dos Pioneiros, organização juvenil do Partido Comunista. Estudou em Izium para se tornar confeiteiro, sendo contratado como cozinheiro em 1990. De janeiro de 1991 a agosto de 1992, serviu no Exército Soviético, onde recebeu uma pensão por invalidez e foi dispensado pouco antes de sua desmobilização. Mais tarde, exerceu uma série de trabalhos ocasionais, trabalhando, por exemplo, como caminhoneiro e zelador de uma fábrica.
Seus primeiros poemas foram publicados em 2003, em uma revista regional sob o pseudônimo de Volodymyr Vakoulenko-K. Entre 2003 e 2006, integrou a associação literária Kremianets, em Izium, e em 2005 também foi membro da associação literária Prometheus, de Kostiantynivka. De 2005 a 2006, atuou como vice-diretor da Kremianets em Izium, onde exerceu a função de editor-chefe do jornal infantil e juvenil Krynytsia. Passou a publicar na internet no final de 2005.
Trabalhou em diversos livros sobre o patrimônio de sua região e um livro em braille para crianças cegas. Em 2007, preparou e publicou o almanaque Raisin Mountain, no qual também teve obras próprias incluídas. Foi coordenador do projeto Gothic e responsável pela apresentação do número 30 da revista Thursday, dedicado ao tema gótico. Entre janeiro e julho de 2009, atuou como editor-chefe da revista de tradução DzeRkaLo, lançada em 2 de julho daquele ano.
Foi correspondente da revista Artistic Facets em 2009. Atuou como coordenador e organizador de diversos periódicos e antologias, entre as quais uma dedicada à poesia bielorrussa, em 2020. Teve trabalhos publicados em revistas e antologias, e suas obras foram traduzidas para o tártaro da Crimeia, bielorrusso, alemão, inglês, esperanto e russo.
Em 2014, participou das manifestações em Kiev contra o presidente Viktor Yanukovych, considerado pró Rússia, que foi forçado a renunciar.
Em 2021, sua coleção de contos, Três Contos de Neve, foi publicada por uma editora em Vinnytsia.
Em 22 de março de 2022, Vakulenko e Vitaliy, seu filho autista de treze anos de idade, foram presos por tropas russas em Kapytolivka, vila ucraniana localizada próxima à cidade de Izium. Naquele momento, Izium e as vilas das proximidades estavam sob ocupação russa há vários dias, com os soldados russos supostamente saqueando residências particulares, roubando automóveis e cometendo crimes de guerra contra a população civil. Vakulenko acreditava que seus posicionamentos pró ucranianos o tornariam um alvo das forças de ocupação russas, e sua casa estava repleta de livros escritos em ucraniano, incluindo cópias de suas próprias obras, que ele imaginou serem suficientes para levantar suspeitas.
Naquele mesmo dia, Vakulenko e seu filho foram devolvidos à casa de campo que dividiam com o pai do autor. Vakulenko contou aos pais que havia sido levado para um "departamento especial" criado na aldeia, onde foi espancado na virilha. Sua família se preocupou com seu estado físico, visto que ele havia emagrecido muito nas semanas que se seguiram à invasão russa em grande escala. Havia pouco para comer além das batatas de sua horta e alguns enlatados que ele comprara em Izium antes da chegada dos tanques russos.
Em 24 de março de 2022, Vakulenko foi novamente detido pelas tropas russas. Uma van pintada com o símbolo "Z" encostou próxima à sua casa e um soldado russo portando uma arma empurrou Vakulenko para dentro do veículo. Vakulenko foi assassinado durante o cativeiro subsequente, e seu cadáver foi encontrado em 12 de maio em uma vala comum nos arredores de Izium. Ele havia sido alvejado e morto por dois projéteis de uma pistola Makarov semiautomática. Quando foi exumado uma semana após a liberação, seu cadáver foi inicialmente identificado incorretamente, apesar da documentação do cemitério indicar corretamente seu sobrenome. Posteriormente, foi identificado de maneira formal, após o uso de amostra de DNA. Vakulenko foi novamente enterrado na Carcóvia, em dezembro de 2022.
Após sua morte e a libertação da Carcóvia, seu diário de guerra,enterrado por ele no quintal de sua casa, foi recuperado e publicado pela escritora Victoria Amelina.
Vakulenko deixou seus pais e filhos, Vladyslav e Vitaliy. Em 2023, os assassinos de Vakulenko foram supostamente identificados como o comandante Vladyslav Neskorodiev e o soldado S. Udodenko, que serviam nas forças armadas da República Popular de Luhansk.
Ordem pelo Mérito, terceira classe (concedida postumamente, em 22 de janeiro de 2024)
Herói da Ucrânia, (concedida postumamente, em 1 de outubro de 2025)
Em 22 de maio de 2023, a Associação Internacional de Editores concedeu a Vakulenko, postumamente, o Prêmio Especial Voltaire 2023.==Notas==