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Wilma de Faria

Professora e política brasileira; 52.ª governadora do Rio Grande do Norte (1945–2017)

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Wilma Maria de Faria (Mossoró, 17 de fevereiro de 1945 — Natal, 15 de junho de 2017), também conhecida durante parte da carreira como Wilma Maia, foi uma professora universitária e política brasileira. Exerceu os cargos de primeira-dama e secretária de Estado do Rio Grande do Norte, deputada federal constituinte, prefeita e vice-prefeita de Natal, governadora do Rio Grande do Norte e vereadora da capital. Foi a primeira mulher eleita deputada federal pelo estado, a primeira a governar Natal pelo voto popular e a primeira a chefiar o Poder Executivo estadual potiguar.

Formada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde se tornou professora, especializou-se em Sociologia e concluiu mestrado em Educação. Sua projeção pública começou no fim da década de 1970, quando, como esposa do governador Lavoisier Maia, dirigiu entidades de assistência social. Em 1983, passou a comandar a Secretaria Estadual do Trabalho e Bem-Estar Social. Depois de uma primeira candidatura à Prefeitura de Natal, em 1985, elegeu-se deputada federal em 1986 e participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1987.

Eleita prefeita de Natal em 1988, voltou ao cargo em 1996 e foi reeleita em 2000, tornando-se uma das principais lideranças políticas da capital. Renunciou em abril de 2002 para disputar o governo estadual e venceu a eleição no segundo turno, com 61,05% dos votos válidos. Reeleita em 2006, permaneceu no governo até março de 2010, quando se desincompatibilizou para concorrer ao Senado. Sua administração estadual combinou políticas sociais e de desenvolvimento rural, investimentos em infraestrutura e expansão da UERN, mas também foi atingida por investigações envolvendo integrantes do governo e familiares.

Após deixar o governo, foi derrotada nas eleições para o Senado em 2010 e 2014. Entre 2013 e 2016, exerceu a vice-prefeitura de Natal, na gestão de Carlos Eduardo Alves. Em 2016, depois de mais de duas décadas no PSB, transferiu-se para o PTdoB e elegeu-se vereadora de Natal. Morreu em junho de 2017, aos 72 anos, durante o mandato, após tratamento contra um câncer no sistema digestivo.

Primeiros anos, família e formação

Wilma Maria de Faria nasceu em Mossoró, no oeste do Rio Grande do Norte, filha de Morton Mariz de Faria e Francisca Sales Paraguai Faria. Passou parte da infância e juventude em Caicó, na região do Seridó. Sua família possuía vínculos com grupos tradicionais da política potiguar, incluindo relações de parentesco com os ex-governadores Juvenal Lamartine de Faria e Dinarte Mariz. Estudos sobre sua trajetória assinalam que, apesar desse ambiente familiar, sua entrada efetiva na política ocorreu somente na vida adulta, inicialmente por meio das funções sociais associadas ao governo do então marido.

Casou-se com o médico e professor Lavoisier Maia, com quem teve quatro filhos: Ana Cristina, Cíntia, Lauro e Márcia Maia. O casamento terminou em divórcio. Ao longo da carreira, utilizou tanto o nome Wilma Maia, associado ao primeiro casamento, quanto Wilma de Faria; durante a campanha municipal de 1996, a mudança de nome foi objeto de cobertura da imprensa por coincidir com uma tentativa de apresentar uma imagem política mais autônoma em relação ao grupo Maia.

Concluiu o curso de Letras da UFRN em 1975. Em seguida, tornou-se professora-assistente do Departamento de Educação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da universidade. Trabalhou como assessora da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Natal, entre 1976 e 1977, e como coordenadora de projetos e convênios da Pró-Reitoria de Planejamento e Coordenação Geral da UFRN, entre 1977 e 1978. Posteriormente, realizou especialização em Sociologia e mestrado em Educação, aposentando-se como professora da instituição.

Atuação social e ingresso na vida pública

Primeira-dama e entidades assistenciais

Com a posse de Lavoisier Maia no governo estadual, em 1979, Wilma tornou-se primeira-dama do Rio Grande do Norte. Nessa condição, coordenou no estado o Programa Nacional do Voluntariado, ligado à Legião Brasileira de Assistência, e presidiu o Movimento de Integração e Orientação Social (MEIOS) e a seção estadual da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. Essa atuação aproximou-a de clubes de mães, associações comunitárias, grupos de idosos e entidades voltadas a pessoas com deficiência, formando uma base de relações que seria mobilizada em suas primeiras campanhas eleitorais.

O cientista social Fagner Torres de França identifica nesse período a origem de dois elementos duradouros de sua imagem pública: a apresentação como “professora”, que evocava formação técnica e proximidade com a educação, e o vínculo com a assistência social, que favorecia uma identidade política maternal e comunitária. Segundo o autor, essas representações foram reelaboradas nas campanhas posteriores e combinadas, nos anos 2000, à imagem da “guerreira”, associada à persistência eleitoral e à capacidade de enfrentar estruturas políticas tradicionais.

Secretaria de Estado e eleição de 1985

Em 1983, no início do primeiro governo de José Agripino Maia, Wilma foi nomeada secretária estadual do Trabalho e Bem-Estar Social. Permaneceu no cargo até 1985, quando se afastou para disputar a Prefeitura de Natal pelo Partido Democrático Social (PDS). Sua candidatura reuniu o apoio de Lavoisier Maia e José Agripino, mas foi derrotada por Garibaldi Alves Filho, do PMDB, na primeira eleição direta para prefeito da capital após o regime militar. A campanha, contudo, ampliou seu reconhecimento eleitoral e a transformou em um nome próprio dentro do grupo governista.

Na eleição de 1986, Wilma foi eleita deputada federal pelo Rio Grande do Norte, tornando-se a primeira mulher do estado a alcançar o cargo. Tomou posse em 1.º de fevereiro de 1987 e integrou a Assembleia Nacional Constituinte. Foi titular da Subcomissão dos Direitos dos Trabalhadores e Servidores Públicos, vinculada à Comissão da Ordem Social, e suplente da Subcomissão da Família, do Menor e do Idoso, da Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação.

Sua atuação parlamentar concentrou-se em temas trabalhistas, educação, proteção social e políticas familiares. Registros da Câmara dos Deputados preservam pronunciamentos nos quais defendeu a valorização do ensino e a preparação dos jovens para o trabalho. Em outubro de 1988, licenciou-se do mandato por 120 dias para participar da campanha à Prefeitura de Natal. Eleita, renunciou à Câmara em 1.º de janeiro de 1989 para assumir o Executivo municipal.

Filiada ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), Wilma venceu a eleição municipal de 1988 e tomou posse em 1.º de janeiro de 1989. Sua vitória representou a primeira eleição de uma mulher para a Prefeitura de Natal e marcou a consolidação de uma liderança já menos dependente da identificação pública com o ex-marido. Ao fim do mandato, apoiou a candidatura de seu secretário de Planejamento, Aldo Tinoco Filho, eleito prefeito em 1992.

A primeira administração criou, em 1991, a Guarda Municipal de Natal, inicialmente com duzentas vagas distribuídas igualmente entre homens e mulheres. A corporação foi instituída para proteger bens, serviços e instalações municipais e colaborar com ações preventivas de segurança e de preservação ambiental. A composição paritária do primeiro concurso foi posteriormente destacada em registros institucionais como uma característica pioneira da formação inicial da guarda.

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