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Avante

Partido político brasileiro

5 min de leitura25/08/2026
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O Avante é um partido político brasileiro de centro, nascido em 1989 como Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), uma dissidência do tradicional Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). A sigla surgiu da união de grupos trabalhistas, muitos deles egressos do PTB, que buscavam um espaço próprio no cenário político nacional. O registro definitivo veio apenas em 1994, após anos de organização e disputas internas, marcando o início de uma trajetória lenta, mas consistente, no sistema partidário brasileiro. Nos primeiros anos, o partido enfrentou desafios como a falta de visibilidade e a concorrência com outras legendas de mesma matriz ideológica, mas conseguiu sobreviver e, gradualmente, consolidar sua presença no país.

Nas eleições de 1998, o PTdoB deu seu primeiro passo em direção à projeção nacional ao lançar o candidato João de Deus Barbosa de Jesus, um jornalista e comerciante. Mesmo com um resultado modesto — 0,2% dos votos, cerca de 198 mil sufrágios —, a campanha serviu como um marco inaugural para a legenda, que começava a testar suas forças nas disputas presidenciais. A participação, ainda que pequena, demonstrou que o partido poderia, em algum momento, se tornar uma opção viável para eleitores descontentes com as principais forças políticas da época. A década de 1990, no entanto, não foi suficiente para alçar o PTdoB a um patamar mais relevante, mas plantou as sementes para futuras estratégias.

Entre 2006 e 2016, o partido adotou uma postura pragmática em relação às alianças, aproveitando-se das incertezas sobre a obrigatoriedade da verticalização das coligações. Sem lançar candidaturas presidenciais próprias, o PTdoB optou por apoiar figuras de outros partidos, como José Serra (PSDB) em 2010 e Aécio Neves (também do PSDB) em 2014. Essa estratégia refletia uma busca por legitimidade e espaço no cenário político, mesmo que à custa de alianças com forças mais estabelecidas. A decisão de não disputar a presidência diretamente naquele período pode ser interpretada como um reconhecimento das limitações do partido naquele momento, mas também como uma tentativa de sobreviver em um ambiente cada vez mais competitivo.

A mudança de nome para Avante, oficializada em 2017, representou uma virada na trajetória do partido. O rebranding não foi apenas uma questão de imagem: foi uma resposta direta à crise de confiança na política brasileira, agravada pelos escândalos de corrupção que assolaram o país entre 2014 e 2016. A legenda seguiu o exemplo de outras siglas que, na mesma época, também optaram por renomeações para se distanciar de seus passados controversos ou de associações negativas. O Avante, contudo, não foi o pioneiro nesse tipo de estratégia; partidos como o PFL (que se tornou Democratas) e o PP (que já foi renomeado várias vezes) haviam trilhado caminhos semelhantes no passado, mostrando que a reinvenção é uma ferramenta comum no jogo político brasileiro.

O período entre 2018 e 2020 foi marcado por dois marcos importantes para o Avante. Nas eleições de 2018, o partido se coligou ao Partido Democrático Trabalhista na candidatura de Ciro Gomes, alcançando 1,89% dos votos para a Câmara dos Deputados, o que lhe permitiu superar a cláusula de barreira progressiva então em vigor. Essa conquista foi crucial para garantir a sobrevivência da legenda, que, até então, enfrentava dificuldades para se manter relevante. Em 2020, o Avante atingiu um feito histórico ao eleger seu primeiro prefeito em uma capital: David Almeida, em Manaus. A vitória não só simbolizou um avanço eleitoral, como também mostrou que o partido conseguia se conectar com bases regionais fortes, especialmente no Norte do país.

No entanto, o cenário não permaneceu estável. Em 2022, o Avante enfrentou um novo desafio com a mudança da cláusula de barreira, que passou a exigir 2,0% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados. O partido não conseguiu superar esse patamar nas eleições parlamentares daquele ano, o que colocou sua existência em risco. A solução imediata foi buscar fusões com outras legendas, como o Solidariedade e o PSC, mas as negociações não prosperaram. A situação só se reverteu graças a um detalhe técnico: a anulação de votos de alguns candidatos e a consequente retotalização dos sufrágios elevou o percentual do Avante para os 2,0% necessários, livrando-o temporariamente da extinção. As eleições municipais de 2024, contudo, mostraram um desempenho mais modesto, com 1,89% dos votos válidos para prefeito, indicando que o partido ainda precisava encontrar um caminho para se consolidar.

O ano de 2026 trouxe novos desafios. A cláusula de barreira foi novamente ajustada, agora exigindo 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, um patamar que o Avante nunca havia alcançado desde a implementação da regra progressiva. Para piorar, a janela partidária daquele ano viu a maioria de seus deputados federais — com exceção de Luis Tibé — deixarem a legenda, enfraquecendo ainda mais sua bancada parlamentar. A pré-candidatura de Augusto Cury à presidência, lançada pelo partido, surge como uma tentativa de recuperar visibilidade e atratividade, mas também expõe as fragilidades de uma sigla que, apesar de décadas de existência, ainda luta para se firmar como uma força política nacional.

O Avante, portanto, é um exemplo de como os partidos políticos brasileiros precisam se adaptar constantemente para sobreviver. Desde sua fundação como PTdoB até a mudança para Avante, a legenda demonstrou flexibilidade, mas também revelou limitações estruturais. Sua história reflete os altos e baixos da política brasileira, onde alianças estratégicas, renomeações e até mesmo a sorte técnica podem determinar o destino de uma sigla. Para 2026 e além, resta saber se o partido conseguirá superar seus desafios internos e externos, ou se seguirá como mais uma das inúmeras legendas que compõem o complexo e volátil cenário partidário do Brasil.

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