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Romeu Zema

Empresário e político brasileiro, ex-governador de Minas Gerais

4 min de leitura25/08/2026
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Romeu Zema Neto é um nome que despontou no cenário político brasileiro como uma figura controversa, mas também como um símbolo de transformação na administração pública. Nascido em Araxá, no interior de Minas Gerais, em 1964, ele herdou de sua família uma trajetória empresarial consolidada, mas decidiu trilhar um caminho distinto ao ingressar na política. Formado em Administração pela Fundação Getulio Vargas, Zema presidiu por décadas o Grupo Zema, conglomerado que atua em diversos setores, desde varejo até distribuição de combustível. Seu sobrenome, de origem italiana, remonta ao bisavô Domenico Zema, imigrante da Calábria que fundou o império familiar. No entanto, foi fora das empresas que Zema construiu sua imagem pública, migrando do Partido Liberal para o Partido Novo e, eventualmente, se tornando governador do estado mais populoso da Região Sudeste.

Sua trajetória política ganhou força em 2018, quando se candidatou ao governo de Minas Gerais em um momento de grande insatisfação popular com os partidos tradicionais. Naquele ano, o Brasil vivia um clima de polarização intensa, com o desgaste do PT e do PSDB, que haviam governado o estado por sucessivos mandatos. Zema, então desconhecido da maioria dos eleitores, surpreendeu ao chegar ao segundo turno com uma campanha pautada na ideia de renovação e na crítica à política tradicional. Seu desempenho nas pesquisas foi modesto no início, mas um comentário durante um debate televisivo, em que mencionou a possibilidade de apoiar Jair Bolsonaro, catapultou sua candidatura. Embora o Partido Novo tenha visto isso como uma quebra de lealdade, o eleitorado mineiro interpretou como um sinal de alinhamento com as aspirações de mudança da população.

Eleito governador em 2018, Zema assumiu o Palácio da Inconfidência em janeiro de 2019, marcando uma ruptura simbólica ao ser empossado em um local diferente do tradicional Palácio da Liberdade. Sua gestão foi caracterizada por uma abordagem pragmática, com foco na redução de gastos públicos e na atração de investimentos privados. No entanto, também enfrentou críticas por medidas como o aumento de seu próprio salário em 2023, justificado como necessário para recompor os vencimentos de secretários estaduais, mas questionado por órgãos de fiscalização. Zema argumentou que a decisão foi constitucionalmente vinculada ao cargo e que, em parte, os recursos foram destinados a causas filantrópicas, embora tenha admitido não manter mais o compromisso de doar integralmente o salário após a reeleição.

A reeleição de Zema em 2022 consolidou sua posição como uma das principais lideranças políticas de Minas Gerais. Desta vez, ele venceu no primeiro turno com 56,18% dos votos, derrotando o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. A vitória refletiu não apenas a continuidade de sua agenda, mas também a capacidade de se manter relevante em um cenário político cada vez mais fragmentado. Sua trajetória, que começou com baixa popularidade, mostrou como figuras outsiders podem conquistar espaço em um ambiente dominado por partidos consolidados. No entanto, suas decisões polêmicas, como o aumento salarial, também expuseram os limites entre gestão eficiente e privilégios políticos, gerando debates sobre a ética na administração pública.

Além da política, Romeu Zema é conhecido por sua vida pessoal discreta. Divorciado e pai de dois filhos, ele construiu uma imagem de empresário bem-sucedido antes de ingressar na vida pública. Sua entrada no Partido Novo, um partido de viés liberal e reformista, reforçou sua imagem de outsider, ainda que sua trajetória anterior estivesse ligada a elites econômicas tradicionais. Essa contradição entre sua origem familiar e sua plataforma de renovação política foi um tema recorrente durante suas campanhas, levantando questionamentos sobre a coerência de seu discurso.

Atualmente, Zema está em evidência novamente por ser pré-candidato à presidência da República em 2026. Sua eventual candidatura representa mais um capítulo em uma carreira política que, embora curta em termos de tempo, foi intensa em transformações. Se, por um lado, ele é visto como um símbolo da modernização da gestão pública em Minas Gerais, por outro, suas ações como governador continuam a gerar polêmicas, especialmente em relação à transparência e ao uso de recursos estaduais. O desafio para Zema, agora, será transformar sua experiência estadual em uma plataforma nacional, capaz de atrair eleitores além das fronteiras mineiras.

O caso de Romeu Zema ilustra como a política brasileira contemporânea tem valorizado perfis que fogem ao convencional, ainda que isso não garanta imunidade a críticas. Seu sucesso inicial veio de uma combinação de timing político e habilidade em capitalizar o descontentamento popular, mas sua trajetória também revela os riscos de uma gestão pública que prioriza a eficiência administrativa em detrimento da participação social. À medida que se prepara para uma possível disputa presidencial, Zema terá de lidar com as mesmas questões que marcaram seus mandatos: até que ponto a inovação política pode coexistir com a manutenção de privilégios, e como equilibrar interesses empresariais e demandas populares em um país tão desigual como o Brasil.

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